segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"That we shall die."

""O desconhecido," disse Faxe (...) na floresta, "o imprevisível, o improvável, é nisso que a vida se baseia. A ignorância é o sustento do pensamento. A improbabilidade a base da acção. Se se provasse que não existe Deus, não haveria religião. (...) Mas se se provasse que existe Deus, também não haveria religião...
Diz-me, Genry, o que é sabido? O que é certo, previsível, inevitável - a unica coisa certa que sabes no que diz respeito ao teu futuro, e ao meu?"

"Que iremos morrer."

"Sim. Aí está a única questão que realmente pode ser respondida, Genry, e para a qual já sabemos a resposta. A única coisa que torna a vida possível é a permanente, intolerável incerteza: não saber o que vem a seguir.""

Tradução livre de um excerto do livro "The Left Hand of Darkness", de Ursula K. Le Guin.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Pequeno diário 120

Costuma dizer-se que devemos separar a vida profissional da pessoal, mas quando a chave de minha casa abre a porta de entrada do edifício onde trabalho... não há muito que possa fazer.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Açores são um lugar horrível

Aterro no meio do Atlântico. Faço-me rodear de quatro pessoas e de mar e de verde. À minha frente, dez dias de ausência de expectativas, num regresso involuntariamente prometido e impulsivamente e impensadamente programado. 
Não sei o que fazer, mas sei o que recear. Tenho à minha frente dez dias, e tenho à minha volta quatro pessoas totalmente diferentes de mim e entre si, umas conheço muito bem, outras conheço pouco, outras conheço nada.

Passam-se dez dias e não estive apenas rodeado de quatro pessoas e de mar e de verde. Estive abraçado por quatro amigos, estive banhado pelo mar, acariciado pelas plantas, coberto pelas estrelas, tocado pelo ponto mais alto do país, mergulhado até onde andam os peixes.
Terá sido uma mistura da magia do local com a força do que tem que ser. Terá sido a surpresa do improvável a unir-se com o amor que se espera.

Passam dez dias e fica a maravilha a gratidão... e um regresso obrigatoriamente prometido.

Os Açores são um lugar horrível!

sábado, 29 de julho de 2017

Pequeno diário 119

Passo por um jovem e analiso uma série de variáveis que se relacionam entre si de forma que ainda não consigo exprimir por palavras.

- Tem a cor do cabelo a condizer com a cor do calçado;
- Calça Crocs;
- As Crocs são azul-turquesa.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Smart delay, smart in advance

Estamos quase todos familiarizados com aquela inteligência, esperteza, eloquência e perspicácia que surge com atraso. Tivemos uma discussão, uma argumentação, um debate e só meia hora depois é que nos lembramos das respostas e contra-ataques perfeitos para o diálogo em questão.

Eu sou mais inteligente, esperto, eloquente e perspicaz do que isso. Não só tenho isso tudo em atraso, como tenho em inútil adiantamento.
Tenho mil e uma respostas imensamente smart para dar para situações que variam entre o "poderá acontecer amanhã, mas na hora não me vou lembrar disto que estou a pensar agora" e o "esta situação nunca irá acontecer, mas por via das dúvidas mais vale ter respostas adequadas na ponta da língua".

Agora... aquela inteligência, esperteza, eloquência e perspicácia carpe diem, aquela do momento, do agora, do instante, do now!...
Não sei o que isso é.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Banhos

A importância que dou a pessoas (ou eventos) é medida pela necessidade que eu tenho de tomar ou não banho antes de ir ter com elas.

Se chego à tua beira de banho tomado, podes crer que és importante para mim!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Pastel

Primeiro: há alturas em penso que os empregados de cafés/pastelarias/restaurantes de Lisboa estão impedidos por leis da física de se esforçar o mínimo que seja no atendimento ao público. Outro dia fui a um estabelecimento que SÓ vendia pastéis-de-nata e eu, como pessoa do Norte que sou, pedi "uma", pensando "uma nata". Até levantei o indicador para mostrar o número pretentido. O empregado faz um ar estranho e diz "Um?". Eu repeti "Sim, uma". "Um?". "Sim. Um pas-tel-de-na-ta. Obrigado."

Segundo: num outro local, ouvi turistas ingleses a pedir "um pastel-de-rata".