terça-feira, 6 de dezembro de 2016

"I respect that" ou Sobre o respeito exacerbado que se tem pela religião, acima de outras coisas da vida

"Douglas Adams di-lo tão bem, numa palestra improvisada feita em Cambridge pouco antes da sua morte, que nunca me canso de partilhar as suas palavras:
     A religião... tem certas ideias nucleares às quais chamados sagradas, ou santas, ou o que for. O que isto significa é, 'Aqui está uma ideia ou noção sobre a qual não podes dizer nada de mal; apenas não podes. Porque não? - porque não podes!' Se alguém votar por um partido com o qual não concordas, és livre de argumentar sobre isso tanto quanto quiseres; toda a gente tem uma discussão mas ninguém se sente ofendido por isso. Se alguém acha que os impostos devem subir ou descer, és livre de argumentar sobre isso. Mas, por outro lado, se alguém diz 'Não devo fazer nada a um Sábado', tu dizes, 'Respeito isso'."

Tradução livre de um excerto do livro "The God Delusion", de Richard Dawkins.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Varicela aos vinte-e-sete

O meu segredo de beleza? Quase um tubo de Bepantene Plus por dia.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Pequeno diário 114

Estive a fazer as contas do orçamento para Dezembro... acho que vou ter que vender um rim e/ou o corpo.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Pequeno diário 113

Uma pequena parte de mim tem o desejo secreto de que o Trump ganhe. É aquela pequena parte que abranda na estrada para ver melhor aquele acidente aparatoso na outra faixa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Pequeno diário 112

No metro, uma ama chega com duas crianças de 3/4 anos, que resolvem sentar-se no chão. Uma delas senta-se em cima do meu pé.
Diz a ama: "Cuidado, que te sentas em cima do pé do menino."
Responde o outro puto, depois de olhar para a minha cara: "Não é menino, é senhor!"

...

Mais à frente também resolve informar que seu dois arrotos. Mas a idade já não me permitiu ouvi-los.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Graças

Domingo nas ruas da aldeia que é cidade capital, que esquece o trânsito por umas horas e que torna os rios de carros em pontes para gentes.
Eu sigo sozinho, perdido na Graça, e ela sozinha segue, com objectivo definido. Eu envergo um fato-de-treino meio suado, caminho em passo ligeiro e esforço-me por manter as costas direitas, porque sei que tenho uma postura errada. Ela leva um xaile amarrado à cintura, dá os passos lentos, tão depressa quanto consegue e as suas costas estão tão curvadas pela idade, que não consegue sequer olhar em frente.
Tem idade para bisnetos. Talvez não os tenha. 
Tem idade, aspecto e possivelmente saúde para ir de mão dada com a morte. Mas vai sozinha.
Tem o peso do mundo em cima de si. Há anos que não vê muito mais que o chão que pisa de forma fraca.

Mas é Domingo. E tem duas flores cor-de-rosa no cabelo. E segue sozinha porque tem idade para ter o mundo só seu e não é ele que tem o seu peso em cima dela, é ela que olha de cima para ele.

E eu sorrio e desejo um dia ter mesma vida que ela teve para colocar aquelas duas flores.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

A ternura dos setenta

Soa um toque de recepção de SMS. Um típico ti tiiii tii tiiii dos antigos Nokias, mas polifónico e com umas ligeiras purpurinas sonoras.

Diz a senhora, bem acima de septuagenária, para a sua colega de caminhada, de igual idade: "Ouça, você tem um toque de telemóvel muito bonito".

Pequenos amendoins desta vida.