terça-feira, 25 de abril de 2017

Acordar a malta

Dizia (e ainda diz) José Afonso, "Quando o pão que comes sabe a merda (...) o que faz falta é acordar a malta".

Dizia (e ainda diz), mas a voz é pouco ouvida, a letra pouco lida, a mensagem pouco sentida. Numa era em que, mais do que nunca, mais e mais pessoas podem moer o seu próprio cereal, tudo permanece dormente perante o pão mal amassado. Não a dormir... mas dormente. Come-se o pão que sabe a merda, sabe-se que não sabe ao que era suposto saber, mas continua a não se trocar de padaria.
Não disse (ou talvez tenha dito), mas pensou (ou talvez não tenha pensado), que Liberdade também é não se querer usar dela. Liberdade também é contentar-se com o pão sem farinha.

Panem et circenses para quem come o circo e pouco precisa de pão.

Dizia (e dirá) José Afonso, "O que faz falta é acordar a malta!". Porque, na realidade, a malta já tem poder.

Cravos.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Glúteos

Sou um tipo magro. Dada a minha quase ausência de glúteos, há quem diga que apreciar o meu rabo é como apreciar ruínas... muito à base da imaginação.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Assunto:

Há várias maneiras de subir na carreira. Devemos manter uma constante análise sobre quem nos é hierarquicamente profissionalmente superior. Eventualmente, aprender com as suas atitudes e tentar replicá-las.

Com vista à evolução do meu currículo, de vez em quando, não respondo a emails.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Eco dos tempos

Quase silenciosamente, um carro eléctrico passa.
No passeio, dois homens na casa dos sessenta olham e abanam a cabeça, comentando a modernice que acaba de passar à sua frente. As suas expressões são as mesmas que teriam se o neto preferido chegasse a casa com o nome da namorada de duas semanas tatuado na testa.

Eco dos tempos.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Cortes

A falta de publicações é devida ao cansaço de uma vida de rato de laboratório. Mas pronto, para os meus 2,5 seguidores assíduos, fica aqui a informação de que parti um Erlenmeyer e cortei-me nas mãos. 

Obrigado, e voltem sempre!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Arrebentamentos

No geral, achamos que sermos arrebatados por alguém é sinal que a outra pessoa ganhou algom em relação a nós, sobre nós, acima de nós.
Mas, na realidade, tudo perde um pouco a piada quando não nos deixamos arrebatar. Perdemos nós por não sermos acessíveis ao arrebatamento, e perde a outra pessoa em relação a nós, por não conseguir deixar-nos sem palavras para responder.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Cabelices

Porque é que o meu penteado só está realmente como eu gosto ao final do dia, depois de duas trocas de roupa, algum vento e uma corrida?