quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Moro num país tropical

Aquela espécie de jet-lag que acontece quando saio à rua de calções e t-shirt, em Novembro, e estão ao colocar iluminações de Naal na rua.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A suavidade do toque

Empregados de café e caixas com touchscreen nunca terão uma relação não violenta. 
Seja com o dedo, com a unha de gel, com a caneta ou com as chaves, nunca ninguém lhes explica que é possível fazer a conta para uma meia-de-leite e uma nata sem aplicar dez mil Newtons por centímetro quadrado a cada toque.

domingo, 1 de outubro de 2017

Autarquivisão

Em concelhos pequenos, as eleições são um pouco como o festival da Eurovisão.

Metade das pessoas conhece outra metade. Cada freguesia tem os seus candidatos favoritos e a cor partidária vencedora de cada uma influencia em grande parte a cor ganhadora da câmara municipal, numa espécie de voto de país vizinho.
Durante o dia, paira uma excitação invisível no ar, e há uma antecipação e um desejo quase palpável de que desta vez seja o "nosso" candidato a ganhar, porque o último vencedor afinal não sabia cantar tão bem quanto parecia.
Ao final da tarde, começam as mensagens e telefonemas. Metade das pessoas conhece outra metade e facilmente se começam a perceber como andam as coisas nas diferentes cidades e vilas e aldeias.
Partido X, twelve points.
Partido Y, ten points.

Por vezes há surpresas. Aquela freguesia sempre votou naquele país vizinho, mas este ano resolveu atribuir os seus doze pontos ao vizinho do lado oposto. Na realidade, cantam os dois a mesma letra, mas em línguas diferentes... as quais ninguém percebe.
Se calhar não é o "nosso" candidato que vai ganhar. Ou, se calhar, até ganha mas lá mais para a frente manda uma piada sobre peidos na assembleia municipal, ou nas redes sociais.

No fundo, dois eventos muito parecidos, com a diferença que um move muito a população portuguesa e outro determina os órgãos do poder local.

*ta ta tatara tataaaaa taraaa tatara tararaaaa tataaaaaa*

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Porblemas

Pelas coisas que às vezes ouço, acho que é seguro afirmar que existe uma relação clínica entre ter cambrias, com hemorródias e problemas na prosta.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Terrorífico

Vejo um filme de terror.
Eventualmente, uma personagem vai entrar numa sala escura onde acontecem coisas maradas, desde possessões a visões demoníacas.
Correu mal.
Meia-dúzia de cenas à frente, a mesma personagem vai entrar na mesma sala escura onde acontecem coisas maradas, desde crucifixos invertidos a aparições fantasmagóricas. 
Dou por mim a berrar em silêncio "CA BURRO! ENTÃO VAIS ENTRAR AÍ OUTRA VEZ?!".

Dou por mim a dizer isto, depois de ter entrado numa sala escura para ver a sequela má de um filme mau.
No fundo, tirando rodar a cabeça trezentos e sessenta graus, vai dar ao mesmo...

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Sobre os sonhos, novamente

Conhecidos e leitores frequentes conhecem bem o meu panorama no que toca a sonhos, à forma como funcionam, à panóplia de temáticas sem sentido e aleatórias por que são constituidos.

Hoje apercebi-me que, possivelmente, o meu cérebro está a ficar sem orçamento, então começou a repetir cenários físicos, fazendo um remake de sonhos passados no mesmo local, alterando apenas diálogos, contextos e algumas personagens.

Parece que a crise chega MESMO a TODO o lado...

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"That we shall die."

""O desconhecido," disse Faxe (...) na floresta, "o imprevisível, o improvável, é nisso que a vida se baseia. A ignorância é o sustento do pensamento. A improbabilidade a base da acção. Se se provasse que não existe Deus, não haveria religião. (...) Mas se se provasse que existe Deus, também não haveria religião...
Diz-me, Genry, o que é sabido? O que é certo, previsível, inevitável - a unica coisa certa que sabes no que diz respeito ao teu futuro, e ao meu?"

"Que iremos morrer."

"Sim. Aí está a única questão que realmente pode ser respondida, Genry, e para a qual já sabemos a resposta. A única coisa que torna a vida possível é a permanente, intolerável incerteza: não saber o que vem a seguir.""

Tradução livre de um excerto do livro "The Left Hand of Darkness", de Ursula K. Le Guin.