terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Natal social

É fácil criticar a dependênca, a alteração de tradições, a perda de valores. É fácil culpar as redes sociais e as casas com wi-fi e dizer que o Natal perdeu o seu valor. Que já não e o que era, que a juventude esta perdida nos ecrãs.
Mas nao e dificil ver o quanto mais natalício pode ser o nosso Natal. 

Antigamente (há não muito tempo) havia aquela escolha que não era escolha nenhuma: amigos ou família, calhando quase sempre, sem poder de decisão, a segunda. Natal é para a família de perto e de longe. Cada amigo, cada pessoa que, muitas vezes, vive mais connosco do que aqueles com quem partilhamos o bacalhau cozido, fica posto de parte para darmos atenção ao sangue do nosso sangue.
Hoje, vi o Sozinho em Casa pela milésima vez com os meus avós, juntamente com os meus amigos, cada um à distancia de uma fotografia, de uma história no Instasgram. Venci umas partidas de Jenga ao meu irmão, ao mesmo tempo que ia vendo como os meus colegas deitavam abaixo as torres deles rodeados de primos que não são meus. Recebi elogios por um chocolate quente que ofereci a quem pode beber e a quem pode ver. Encostei-me no sofá e alguém se encostou em mim, de longe.

E sorri, porque estava em família, feliz. E na palma da minha mão tinha a minha outra família, a ser feliz com a sua. 
Hoje, não faço escolhas entre os de sangue e os de alma. Hoje, são todos meus e não podia estar mais grato pelas modernidades dos tempos.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Banda sonora de quarto-de-banho

Começo a achar que, por casa pessoa que tenta ao máximo ser um ninja enquanto faz o número dois num quarto-de-banho público, há duas que decidem partilhar com o mundo os sons de dor ou prazer (ou ambos em simultâneo).

Ele é gemidos, suspiros, inspirações profundas, exclamações. Uma pessoa entra só para lavar as mãos e sente-se parte de um momento mais íntimo do que o devido.

A questão que coloco é se em casa é assim, ou ainda aumenta a intensidade...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Panto(fensive)ne

A moda dos últimos anos é que, quando se vai dar mais uma voltinha ao sol (menina bonita não paga, mas também não anda), se anunciem qual ou quais as cores do ano. Entretanto, teremos aí um Pantone 2018.

Mas, vendo o panorama dos últimos tempos, cada novo ano deveria vir com dois anúncios:
1- o Pantone;
2- o que vai ser extremamente ofensivo .

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Aquele post sobre o frio

Dizem as leis da física, da química, da biologia e possivelmente de mais uma ou duas ciências, que a maioria da matéria encolhe com o frio. Isto não acontece com coisas grandes, por causa do efeito da sua gravidade própria.

É o que acontece com o meu nariz.

Mas atenção! Não importa o tamanho, importa o que se faz com ele. 
E o meu... tem rinite. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Moro num país tropical

Aquela espécie de jet-lag que acontece quando saio à rua de calções e t-shirt, em Novembro, e estão ao colocar iluminações de Naal na rua.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A suavidade do toque

Empregados de café e caixas com touchscreen nunca terão uma relação não violenta. 
Seja com o dedo, com a unha de gel, com a caneta ou com as chaves, nunca ninguém lhes explica que é possível fazer a conta para uma meia-de-leite e uma nata sem aplicar dez mil Newtons por centímetro quadrado a cada toque.

domingo, 1 de outubro de 2017

Autarquivisão

Em concelhos pequenos, as eleições são um pouco como o festival da Eurovisão.

Metade das pessoas conhece outra metade. Cada freguesia tem os seus candidatos favoritos e a cor partidária vencedora de cada uma influencia em grande parte a cor ganhadora da câmara municipal, numa espécie de voto de país vizinho.
Durante o dia, paira uma excitação invisível no ar, e há uma antecipação e um desejo quase palpável de que desta vez seja o "nosso" candidato a ganhar, porque o último vencedor afinal não sabia cantar tão bem quanto parecia.
Ao final da tarde, começam as mensagens e telefonemas. Metade das pessoas conhece outra metade e facilmente se começam a perceber como andam as coisas nas diferentes cidades e vilas e aldeias.
Partido X, twelve points.
Partido Y, ten points.

Por vezes há surpresas. Aquela freguesia sempre votou naquele país vizinho, mas este ano resolveu atribuir os seus doze pontos ao vizinho do lado oposto. Na realidade, cantam os dois a mesma letra, mas em línguas diferentes... as quais ninguém percebe.
Se calhar não é o "nosso" candidato que vai ganhar. Ou, se calhar, até ganha mas lá mais para a frente manda uma piada sobre peidos na assembleia municipal, ou nas redes sociais.

No fundo, dois eventos muito parecidos, com a diferença que um move muito a população portuguesa e outro determina os órgãos do poder local.

*ta ta tatara tataaaaa taraaa tatara tararaaaa tataaaaaa*