terça-feira, 11 de outubro de 2016

A ternura dos setenta

Soa um toque de recepção de SMS. Um típico ti tiiii tii tiiii dos antigos Nokias, mas polifónico e com umas ligeiras purpurinas sonoras.

Diz a senhora, bem acima de septuagenária, para a sua colega de caminhada, de igual idade: "Ouça, você tem um toque de telemóvel muito bonito".

Pequenos amendoins desta vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Pequeno diário 111

Nota mental: nunca escovar os dentes tendo as mãos molhadas. Eventualmente, a escova vai escorregar e vão acertar com a parte de plástico duro mesmo em cheio na gengiva e vai doer p'ra caraças.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Artificial

"O desenvolvimento de inteligência totalmente artificial pode levar ao fim da raça humana. Iria governar-se a ela própria, redesenhar-se a uma velocidade cada vez maior. Os humanos, que estão limitados a uma evolução biológica lenta, não conseguiriam competir e seriam suplantados."

por Stephen Hawking

Honestamente, não acho a ideia assim tão má...

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Expressividade de chupeta

A maioria das pessoas adoram quando os bebés começam a ter as primeiras expressões faciais definidas, especialmente os risos e as caretas. Toda a gente se derrete com aquela gargalhada, aquele sorriso malandro, aquela língua de fora. Julgam que aquele pequeno ser humano está a começar a dar os primeiros passos na interacção social, na vida, no fundo.

Mas aquilo que mais me fascina na expressividade infantil são aqueles primeiros olhares de indignação. É isso que realmente mostra que aquela criatura entrou no mundo real e começou a perceber o quão fucked up é. Aquele olhar de lado, aquele ligeiro movimento de sobrancelha à frente daquele cérebro que ainda não tem capacidade de controlar a língua o suficiente para dizer alguma coisa que se entenda, mas que já consegue perceber que há algo de muito errado do lado de fora do útero.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Lá fora

Na minha adolescência, ter um amigo a estudar no estrangeiro dava uma espécie de orgulho na terceira pessoa. Afinal, conhecíamos alguém além fronteiras, a falar outra língua, a viver outra cultura. Distante. Raros contactos por uma ou outra carta ou email. O seu regresso em tempo de férias era sempre O evento. Parava meia escola, se fosse preciso, e o fim-de-semana era só nosso.
Hoje, mais perto dos trinta do que dos vinte, metade das pessoas com quem nos damos está fora, falamos com elas quase todos os dias. A outra metade está a pensar em ir para fora ou, pelo menos, não nega essa possibilidade. Os regressos são para um jantar e um copo. A felicidade é grande mas...

...sem stress, que daqui a umas semanas somos nós que lá vamos, para um jantar e um copo mais caros.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Talões

Vivemos numa era em que os emails têm frases que alertam as pessoas para a sustentabilidade ambiental e aconselham à não impressão dos mesmos.
Ao mesmo tempo, um talão de supermercado da compra de uma peça de fruta e uma caixa de chiclets tem três metros e ainda traz anexos.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Pequeno diário 110

O cabelo branco que estava do lado esquerdo da cabeça passou para o lado direito.