À porta de uma discoteca gay, no chão, estava um chouriço.
Não percebi se era para chamar clientela, se era campanha para sexo seguro (visto que ainda estava meio na embalagem), ou se era uma macumba homofóbica (visto que estava cortado a meio).
Nada entretém mais um macho humano na praia do que fazer uma barreira à volta do seu território para impedir os efeitos da subida da maré.
É vê-los dedicarem-se de alma e corpo, muito corpo, todo o corpo, à tarefa. Pode ser perfeitamente notório que o mar nunca sequer irá chegar ao local onde estão mas, por via das dúvidas, há que fazer a barreira na mesma, não vá o aquecimento global tecê-las.
Talvez, também, por outros motivos... mas, essencialmente, por ser a única posição em que consigo adormecer. Com o calor que está, torna-se difícil tolerar o toque do meu próprio corpo.