quarta-feira, 25 de maio de 2016

A maravilha de ser-se pequeno

"Acho a minha insignificância cósmica tranquilizadora.
As estrelas não se fucking preocupam com o que eu sou ou o que eu fiz.
Não devo nada ao universo.
Existo nos meus próprios termos.

A galáxia não quer saber daquela vez em que fizeste asneira."

Retirado algures dos meandros da Internet, sem autor conhecido, mas com pensamento partilhado.

E na nossa desimportância, temos a importância que quisermos ter. E na nossa pequenez, somos tão grandes quanto nos apetecer. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Pequeno diário 106

Estava uma pessoa a lavar placas de Petri no WC.
É isto...

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Pequeno diário 105

O quiosque do metro do Marquês cheirava a pequeno-almoço de hotel da Serra da Estrela.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Pequenos sonhos se realizam


Tenho um hobby. Pego em látex líquido, papel higiénico e algumas tintas e faço umas coisas. 

Atrevi-me a partilhar essas coisas nas redes sociais.

Quando dou por mim, estou a passar quinze horas enfiado num estúdio... e assim, do nada, pequenos sonhos se realizam.

Ó vida...

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pequeno diário 104

Eu entendo que às vezes uma pessoa tenha que fazer algumas vocalizações quando trata de expulsar produtos intestinais, mas daí até cantar enquanto defeca num quarto-de-banho semi-público vai um grande passo.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Quando o machismo vem ao de cima

Sou feminista. Repudio a misoginia. Batalho-me contra as convenções relacionais entre homem e mulher. Desconstruo o cavalheirismo.

Mas não sou perfeito. Há alturas da vida em que o desespero tolda o meu discernimento e me transforma num animal selvagem e primitivo.

Quando tento engomar uma camisa, não consigo não pensar "precisava aqui de uma gaja"!

terça-feira, 12 de abril de 2016

Retiro

""Muitas pessoas dizem que se tens uma família és menos solitário e tens mais segurança. É verdade?" Allen acenou e balbuciou algo suavemente. Mas eu entendi.
Então o Allen disse, "Descobri uma maneira de ter muito mais tempo. No passado, costumava olhar para o meu tempo como se fosse dividido em várias partes. Uma parte eu reservei para o Joey, outra parte para a Sue, outra parte para ajudar a Ana, outra parte para trabalho em casa. O tempo que sobrava eu considerava-o meu. Podia ler, escrever, pesquisar, caminhar.
"Mas agora eu tento já não dividir  o tempo em partes. Considero o meu tempo com o Joey e a Sue como o meu próprio tempo. Quando ajudo o Joey com o trabalho de casa, tento encontrar maneiras de ver o seu tempo como o meu tempo. Revejo a aula com ele, partilhando a sua presença e encontrando maneiras de me interessar pelo que fazemos durante aquele tempo. O mesmo com a Sue. O que é fantástico é que agora tenho tempo ilimitado para mim!""

Tradução livre de um excerto do livro "The Miracle of Mindfulness: An Introduction to the Practice of Meditation", de Thich Nhat Hanh.


Há uns dias atrás, levado por uma estrela na Terra, passei um fim-de-semana num retiro espiritual.
As expectativas eram quase nulas, e a minha perspectiva era de aventura. Sempre tive curiosidade no tema "retiro" e, aparecendo a oportunidade, agarrei-a. O programa incluía yoga, meditações e partilhas, tudo coisas nas quais a minha experiência era ao nível das expectativas.
Acredito muito no poder da mente e nos efeitos que a auto-sugestão pode ter numa pessoa, mas o que se passou naquela casa, perdida no meio do campo, foi muito além disso.
Dei por mim a partilhar todas as minhas horas com pouco mais de uma dezena de totais desconhecidos, de várias idades, diferentes experiências de vida, diferentes problemas, diferentes níveis de felicidade, de realização, diferentes sentimentos. E dei por mim a, contrariamente ao que sempre foi a minha vida, não sentir falta de um tempo só para mim.
Um fim-de-semana que pareceu um mês e, ao mesmo tempo, passou demasiado rápido. Horas e horas em que o desconhecimento se transformou em amor e em que a vulnerabilidade da exposição se transformou na força da aprendizagem.
Três dias que são difíceis de descrever mas que me confirmaram, mais uma vez, que as coisas acontecem porque têm que a acontecer, pre-ci-sa-men-te quando têm que acontecer.
Três dias que se resumem a um sentimento de gratidão imenso e que foram, todo o tempo, tempo ilimitado para mim.