terça-feira, 16 de junho de 2015

Super Rápido

Porque é que é bastante comum que uma loja que faça cópia de chaves seja também uma loja de reparação de calçado? Já vi disto em todo o país, ou seja, excluo a hipótese de ser apenas uma conjugação estranha de uma determinada localidade. O que têm a ver as chaves com as solas? Nem sequer usam os mesmos materiais ou os mesmos instrumentos. Será por motivos legais? Será por motivos ilegais?

E, já agora, porque é que quase todas essas lojas têm "rápido" no nome, normalmente "super rápido" até? Será a versão chaves-calçado dos cafés "central" e "ponto-de-encontro"?

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mães no Facebook ou Como Engordar à Custa das Partilhas

O problema das mães* que usam o Facebook divide-se em dois pontos consecutivos, que levam a uma consequência.

Ponto 1: As mães só costumam usar a rede social à noite, quando o trabalho profissional, o trabalho doméstico e o trabalho familiar já se encontram encerrados.
Ponto 2: As mães gostam de partilhar receitas.

Consequência: O Rui Pi, amigo de mães virtussociais, passa os finais de noite a deparar-se com imagens de sobremesas com muito bom aspecto, fazendo com que haja a obrigatoriedade de, no mínimo**, se fazer acompanhar por um pacote de bolacha Maria no seu leito.

*mãe = generalização de mulher "típica" de meia idade, que pode ou não ter filhos. 
** Máximos incluem uma tigela de Cerelac com textura de cimento fresco, Nutella com um pouco de crepe algures lá no meio, etcétera.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Pequeno diário 90

Há alturas da vida em que parece que todas as canções que ouves foram escritas a pensar em ti.

E eu nem sequer costumo ligar às letras...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

In da nights

Apercebes-te que estás naquele nível de maturidade em que te estás não-literalmente a cagar para a tua imagem social quando deixas de vestir as melhores roupas para uma saída à noite e passas a optar por aquelas que não te importas que fiquem empestadas com cheiro a fumo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

As (des)socializações

Não é que seja moda, mas é quase isso... Vão-se vendo por aí fotografias, cartoons, montagens de pessoas de olhar colado no telemóvel, fazendo notar a falta de interacção entre elas. É nos transportes públicos, na rua, nos restaurantes. Critica-se a ausência de socialização, a existência da individualidade isolada, a presença do isolamento, a inexistência do contacto interpessoal. As gentes, os jovens em especial, prendem-se (ou deixam-se prender) aos ecrãs e esquecem que há um mundo do lado de fora daquelas cinco polegadas. Esquecem-se que há outros seres humanos, ali ao lado, com quem ter uma conversa.

O problema? O problema é que quem vê estas imagens e vê nelas a crítica feita, não consegue ver além do negativismo. E é isso que me chateia naqueles que criticam os avanços tecnológicos que temos vindo a observar na última década. Porque a tecnologia só é má se for mal utilizada!

Aquela pessoa ali ao canto pode estar a marcar um jantar romântico. A outra ali cabisbaixa pode estar a ver fotografias dos filhos que estão longe. E aqueloutra pode estar a enviar uma mensagem de apoio a um amigo em necessidade.

Pela primeira vez na história da humanidade, temos nas palmas das nossas mãos instrumentos que nos permitem evitar a conversa de circunstância e estar em contacto com quem realmente queremos falar. Já não somos obrigados a falar sobre o tempo com aquelas pessoas que partilham o elevador connosco diariamente. 
Vendo bem as coisas, metade dos nossos amigos da escola só são amigos porque passámos metade da vida com eles. Há uns anos atrás, eram esses que ficariam para o resto da vida, fossem bons ou maus. Hoje em dia, temos as melhores pessoas mais perto de nós a toda hora, e não precisamos das amizades que surgem por ausência de alternativas. Famílias, amizades e amores podem agora ser mantidos com centenas de quilómetros de distância pelo meio. Diz-me a experiência!

Não. Não estou a conversar com o chato com quem partilho o gabinete durante a espera para o almoço. Mas estou a fazer alguém sorrir, mas estou a dar um conselho a um amigo, mas estou a dizer que amo.

E faço um like.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vida de adulto

A vida de adulto é, por si só, um grande desafio, constituído por muitos enormes desafios mais pequenos. 
Acho que um dos mais complexos, mais desafiantes, mais impossíveis de ser ultrapassado com nota vinte é o de sobreviver mantendo os princípios que (em princípio) se criaram naquela fase de crescimento pós-adolescência. Quando, mais do que se optar por ganhar a vida (profissional e socialmente falando) ou manter os ideais, se tem que saber jogar com o equilíbrio entre conservar a forçada vénia às circunstâncias e não perder aqueles pensamentos utópicos da juventude.

Quando é que um sorriso amarelo vale mais do que aquilo em que acredito?
Quando é que o que vai cá dentro se deve sobrepor ao tempo que faz lá fora?
Quando é que o burro baixa as orelhas? Quando é que o burro ensina línguas?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Pequeno diário 89

Na fila para a cantina, o grupo divide-se em dois. Obra do acaso, acabo por ficar no da frente e contento-me por estar mais perto da comida. Depois apercebo-me que fiquei no grupo em que se fala de futebol, enquanto que o outro lado se debruçou sobre trabalhos de voluntariado, comida caseira e fascismo corporativo.

Nem só de pão vive o Homem.