quarta-feira, 13 de maio de 2015

As (des)socializações

Não é que seja moda, mas é quase isso... Vão-se vendo por aí fotografias, cartoons, montagens de pessoas de olhar colado no telemóvel, fazendo notar a falta de interacção entre elas. É nos transportes públicos, na rua, nos restaurantes. Critica-se a ausência de socialização, a existência da individualidade isolada, a presença do isolamento, a inexistência do contacto interpessoal. As gentes, os jovens em especial, prendem-se (ou deixam-se prender) aos ecrãs e esquecem que há um mundo do lado de fora daquelas cinco polegadas. Esquecem-se que há outros seres humanos, ali ao lado, com quem ter uma conversa.

O problema? O problema é que quem vê estas imagens e vê nelas a crítica feita, não consegue ver além do negativismo. E é isso que me chateia naqueles que criticam os avanços tecnológicos que temos vindo a observar na última década. Porque a tecnologia só é má se for mal utilizada!

Aquela pessoa ali ao canto pode estar a marcar um jantar romântico. A outra ali cabisbaixa pode estar a ver fotografias dos filhos que estão longe. E aqueloutra pode estar a enviar uma mensagem de apoio a um amigo em necessidade.

Pela primeira vez na história da humanidade, temos nas palmas das nossas mãos instrumentos que nos permitem evitar a conversa de circunstância e estar em contacto com quem realmente queremos falar. Já não somos obrigados a falar sobre o tempo com aquelas pessoas que partilham o elevador connosco diariamente. 
Vendo bem as coisas, metade dos nossos amigos da escola só são amigos porque passámos metade da vida com eles. Há uns anos atrás, eram esses que ficariam para o resto da vida, fossem bons ou maus. Hoje em dia, temos as melhores pessoas mais perto de nós a toda hora, e não precisamos das amizades que surgem por ausência de alternativas. Famílias, amizades e amores podem agora ser mantidos com centenas de quilómetros de distância pelo meio. Diz-me a experiência!

Não. Não estou a conversar com o chato com quem partilho o gabinete durante a espera para o almoço. Mas estou a fazer alguém sorrir, mas estou a dar um conselho a um amigo, mas estou a dizer que amo.

E faço um like.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vida de adulto

A vida de adulto é, por si só, um grande desafio, constituído por muitos enormes desafios mais pequenos. 
Acho que um dos mais complexos, mais desafiantes, mais impossíveis de ser ultrapassado com nota vinte é o de sobreviver mantendo os princípios que (em princípio) se criaram naquela fase de crescimento pós-adolescência. Quando, mais do que se optar por ganhar a vida (profissional e socialmente falando) ou manter os ideais, se tem que saber jogar com o equilíbrio entre conservar a forçada vénia às circunstâncias e não perder aqueles pensamentos utópicos da juventude.

Quando é que um sorriso amarelo vale mais do que aquilo em que acredito?
Quando é que o que vai cá dentro se deve sobrepor ao tempo que faz lá fora?
Quando é que o burro baixa as orelhas? Quando é que o burro ensina línguas?

terça-feira, 5 de maio de 2015

Pequeno diário 89

Na fila para a cantina, o grupo divide-se em dois. Obra do acaso, acabo por ficar no da frente e contento-me por estar mais perto da comida. Depois apercebo-me que fiquei no grupo em que se fala de futebol, enquanto que o outro lado se debruçou sobre trabalhos de voluntariado, comida caseira e fascismo corporativo.

Nem só de pão vive o Homem.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Perante a falta de palavras...

A notícia de que, em Portugal, os "homossexuais só podem dar sangue se estiverem em abstinência sexual" deixa-me com poucas palavras, tal a desilusão social que me provoca.
Mas não me apetece que o assunto passe simplesmente em branco, pelo que encontrei umas frases engraçadas algures na Internet, e achei interessante partilhar. Não são totalmente dentro do tema, e são aplicadas ao contexto norte-americano, MAS a base é comum ao que se vai passando por cá. Três palavras: pre con ceito.

"Ser gay não é natural. Os verdadeiros americanos sempre rejeitaram coisas não-naturais como óculos, poliéster e ar-condicionado."

"Casamento gay irá encorajar as pessoas a serem gays, da mesma forma que estar perto de pessoas altas te fará ser alto."

"Legalizar o casamento gay dará aso a todo o tipo de comportamentos loucos. As pessoas podem até desejar casar-se com os seus animais, porque um cão tem posição legal e pode assinar um contrato de casamento."

"O casamento heterossexual existe há muito tempo e não mudou em nada. As mulheres ainda são propriedade, os pretos não podem casar com brancos e o divórcio ainda é ilegal."

"O casamento heterossexual terá menos significado se o casamento homossexual for permitido. A santidade do casamento de 55 horas da Britney Spears e o de 72 dias da Kim Kardashian seria destruida."

"Casamentos heterossexuais são válidos porque produzem crianças. Casais homossexuais, casais inférteis e idosos não devem poder casar porque os nossos orfanatos não estão cheios o suficiente e o mundo precisa de mais crianças."

"Obviamente, pais gay vão criar filhos gay, uma vez que pais heterossexuais só criam filhos hétero."

"O casamento gay não é apoiado pela religião. Numa teocracia como a nossa, os valores de uma religião são impostos em todo o país. Por isso é que só existe uma religião na América."

"As crianças nunca irão crescer com sucesso sem um modelo masculino e um feminino em casa. Por isso é que a sociedade proíbe expressamente pais-solteiros de educarem crianças."

"O casamento homossexual irá mudar os pilares da sociedade. Nunca nos iremos adaptar a novas normas sociais. Da mesma forma que nunca nos adaptamos a carros, economia do sector de serviços ou maior esperança média de vida."

sexta-feira, 24 de abril de 2015

The perks of being skinny

Uma das vantagens de ser um eterno magricela é que quando alguém que me conhece de vista me vê passados muitos anos nunca pensa "Este gajo está gordo, agora!".

Já a situação contráriaaaaa...

terça-feira, 21 de abril de 2015

De alegre e de louco, todos temos um pouco

Vivemos num mundo onde é mais do que legítimo uma pessoa chorar sozinha e onde, de imediato, se diagnostica de louco aquele que se (sor)ri sozinho.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Pequeno diário 88

Tarde de sexta-feira a trabalhar ao som dos temas dos filmes "007".