Não é que seja moda, mas é quase isso... Vão-se vendo por aí fotografias, cartoons, montagens de pessoas de olhar colado no telemóvel, fazendo notar a falta de interacção entre elas. É nos transportes públicos, na rua, nos restaurantes. Critica-se a ausência de socialização, a existência da individualidade isolada, a presença do isolamento, a inexistência do contacto interpessoal. As gentes, os jovens em especial, prendem-se (ou deixam-se prender) aos ecrãs e esquecem que há um mundo do lado de fora daquelas cinco polegadas. Esquecem-se que há outros seres humanos, ali ao lado, com quem ter uma conversa.
O problema? O problema é que quem vê estas imagens e vê nelas a crítica feita, não consegue ver além do negativismo. E é isso que me chateia naqueles que criticam os avanços tecnológicos que temos vindo a observar na última década. Porque a tecnologia só é má se for mal utilizada!
Aquela pessoa ali ao canto pode estar a marcar um jantar romântico. A outra ali cabisbaixa pode estar a ver fotografias dos filhos que estão longe. E aqueloutra pode estar a enviar uma mensagem de apoio a um amigo em necessidade.
Pela primeira vez na história da humanidade, temos nas palmas das nossas mãos instrumentos que nos permitem evitar a conversa de circunstância e estar em contacto com quem realmente queremos falar. Já não somos obrigados a falar sobre o tempo com aquelas pessoas que partilham o elevador connosco diariamente.
Vendo bem as coisas, metade dos nossos amigos da escola só são amigos porque passámos metade da vida com eles. Há uns anos atrás, eram esses que ficariam para o resto da vida, fossem bons ou maus. Hoje em dia, temos as melhores pessoas mais perto de nós a toda hora, e não precisamos das amizades que surgem por ausência de alternativas. Famílias, amizades e amores podem agora ser mantidos com centenas de quilómetros de distância pelo meio. Diz-me a experiência!
Não. Não estou a conversar com o chato com quem partilho o gabinete durante a espera para o almoço. Mas estou a fazer alguém sorrir, mas estou a dar um conselho a um amigo, mas estou a dizer que amo.
E faço um like.