terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Cinquenta e cinco

Não sei o que se passa este ano com as pessoas que passam parte do seu tempo na internet, que parece que passam mais tempo a contar o número de páginas de um livro de trezentos e sessenta e cinco dias do que a escrever alguma coisa nelas...

Já por isso é que eu prefiro um Moleskine com páginas em branco, sem linhas e muito menos numeração. Tanto dá para a escrita, como para os rabiscos... e se não preencher nada, a data do vazio fica no segredo dos deuses.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Pequeno diário 84

Há quem diga que não dá sangue porque tem medo de agulhas.

Minha gente, na dádiva de sangue, o medo que se deve ter não deve ser das agulhas; deve ser de eventualmente arrancar o penso rápido de um braço peludo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Bolseiro

Há coisas que, de facto, identificam os cientistas/bolseiros de investigação deste país, especialmente entre eles.
Para essa casta da sociedade, o estado de quase escravatura moderna, nas mãos de diferentes elementos, instituições ou circunstâncias, é uma normalidade.

No caso de haver um elemento que não esteja a trabalhar, em conversa sobre o futuro, nunca se diz naturalmente "quanto estiveres novamente a trabalhar" ou "quando voltares a estar empregado". Diz-se "quando voltares a receber".
O dinheiro na vida de um cientista/bolseiro é quase um extra. Em Portugal, não temos profissão, temos estilo de vida.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Autobiotópsia

"(...) mas, fora isso, a sua autobiografia era tão desprovida de interesse quanto a sua autópsia seria. Nunca vi mulher mais saudável que ela (...)" 

Tradução livre de um excerto do livro "Lolita", de Vladimir Nabokov.

Para pensar, apenas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pequeno diário 83

Se há coisa que adoro nas redes sociais é o facto das pessoas adorarem ver deus nas fotos de neve na Serra da Estrela, mas nunca verem a falta dele nas fotos de pretinhos a morrer à fome.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sodade dess nha comida

Nunca pensei vir a ter saudades de cozinhar só para mim, de fazer jantar para uma só pessoa. Mas tenho.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Não somos ninguém

Somos todos macacos. Somos todos Charlie. Somos todos gregos. Somos todos as meninas. Somos todos feministas. Somos todos um clube de futebol. Somos todos gays. Somos todos gordos.

Anda tudo a ser toda a gente, e anda tudo a esquecer-se de ser o próprio. No dia em que sejamos todos nós, não será preciso sermos todos outra coisa qualquer.