quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Bolseiro

Há coisas que, de facto, identificam os cientistas/bolseiros de investigação deste país, especialmente entre eles.
Para essa casta da sociedade, o estado de quase escravatura moderna, nas mãos de diferentes elementos, instituições ou circunstâncias, é uma normalidade.

No caso de haver um elemento que não esteja a trabalhar, em conversa sobre o futuro, nunca se diz naturalmente "quanto estiveres novamente a trabalhar" ou "quando voltares a estar empregado". Diz-se "quando voltares a receber".
O dinheiro na vida de um cientista/bolseiro é quase um extra. Em Portugal, não temos profissão, temos estilo de vida.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Autobiotópsia

"(...) mas, fora isso, a sua autobiografia era tão desprovida de interesse quanto a sua autópsia seria. Nunca vi mulher mais saudável que ela (...)" 

Tradução livre de um excerto do livro "Lolita", de Vladimir Nabokov.

Para pensar, apenas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Pequeno diário 83

Se há coisa que adoro nas redes sociais é o facto das pessoas adorarem ver deus nas fotos de neve na Serra da Estrela, mas nunca verem a falta dele nas fotos de pretinhos a morrer à fome.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sodade dess nha comida

Nunca pensei vir a ter saudades de cozinhar só para mim, de fazer jantar para uma só pessoa. Mas tenho.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Não somos ninguém

Somos todos macacos. Somos todos Charlie. Somos todos gregos. Somos todos as meninas. Somos todos feministas. Somos todos um clube de futebol. Somos todos gays. Somos todos gordos.

Anda tudo a ser toda a gente, e anda tudo a esquecer-se de ser o próprio. No dia em que sejamos todos nós, não será preciso sermos todos outra coisa qualquer.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pequeno diário 82

Desisto de reciclar. Vou adoptar um carro com maiores emissões de dióxido de carbono. Vou trocar tudo o que é LED por lâmpadas das antigas. Ganharei o hábito de queimar pneus. Começarei a fumar só para poder atirar beatas mal apagadas para o meio do monte. Vou preferir aparelhos de classe energética de E em diante.

Quero aquecimento global! 
Obrigado.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Mamas evolutivas

Qualquer pessoas que conviva rotineiramente com mulheres, especialmente qualquer pessoa que possua um pénis como órgão sexual, saberá bem o que implica aquela meia-dúzia de dias antes do período. Como é do conhecimento comum, e como múltiplas imagens no 9GAG fazem saber, nesses dias, as mulheres (ou grande parte delas) podem transformar-se em seres que vão de um pequeno gato com as garras de fora até ao Sauron versão feminina.

Acontece que o ser humano, não diferente de qualquer outro mamífero, tem o objectivo último de se reproduzir. Também não diferente, a atracção é algo que tem que acontecer entre os sexos para que esse objectivo se cumpra. 
Mas, perguntam vocês, qual é o macho que se atreve sequer a aproximar de uma fêmea que ameaça destruir a galáxia à mínima provocação? Qual o motivo que leva uma criatura indefesa a aproximar-se da presa? A minha resposta é: mamas!
As forças evolutivas e adaptativas, em toda a sua sapiência milenar, compensaram a situação com algo que, com toda a certeza, consegue captar a atenção dos carregadores de espermatozóides. Precisamente na altura em que as mulheres estão num estado mais social/comportamental/psicologicamente inconveniente, os seus seios tornam-se mais firmes, arredondados, arrebitados, em suma: apelativos! Os pobres machos amedrontados têm então uma fonte de inspiração que lhes dá coragem para enfrentar feras, perpetuando, eventualmente, a espécie.

Num próximo episódio, iremos estudar e tentar descobrir se a firmeza das mamas é inversamente proporcional com a simpatia pré-menstrual.