segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Não somos ninguém

Somos todos macacos. Somos todos Charlie. Somos todos gregos. Somos todos as meninas. Somos todos feministas. Somos todos um clube de futebol. Somos todos gays. Somos todos gordos.

Anda tudo a ser toda a gente, e anda tudo a esquecer-se de ser o próprio. No dia em que sejamos todos nós, não será preciso sermos todos outra coisa qualquer.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pequeno diário 82

Desisto de reciclar. Vou adoptar um carro com maiores emissões de dióxido de carbono. Vou trocar tudo o que é LED por lâmpadas das antigas. Ganharei o hábito de queimar pneus. Começarei a fumar só para poder atirar beatas mal apagadas para o meio do monte. Vou preferir aparelhos de classe energética de E em diante.

Quero aquecimento global! 
Obrigado.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Mamas evolutivas

Qualquer pessoas que conviva rotineiramente com mulheres, especialmente qualquer pessoa que possua um pénis como órgão sexual, saberá bem o que implica aquela meia-dúzia de dias antes do período. Como é do conhecimento comum, e como múltiplas imagens no 9GAG fazem saber, nesses dias, as mulheres (ou grande parte delas) podem transformar-se em seres que vão de um pequeno gato com as garras de fora até ao Sauron versão feminina.

Acontece que o ser humano, não diferente de qualquer outro mamífero, tem o objectivo último de se reproduzir. Também não diferente, a atracção é algo que tem que acontecer entre os sexos para que esse objectivo se cumpra. 
Mas, perguntam vocês, qual é o macho que se atreve sequer a aproximar de uma fêmea que ameaça destruir a galáxia à mínima provocação? Qual o motivo que leva uma criatura indefesa a aproximar-se da presa? A minha resposta é: mamas!
As forças evolutivas e adaptativas, em toda a sua sapiência milenar, compensaram a situação com algo que, com toda a certeza, consegue captar a atenção dos carregadores de espermatozóides. Precisamente na altura em que as mulheres estão num estado mais social/comportamental/psicologicamente inconveniente, os seus seios tornam-se mais firmes, arredondados, arrebitados, em suma: apelativos! Os pobres machos amedrontados têm então uma fonte de inspiração que lhes dá coragem para enfrentar feras, perpetuando, eventualmente, a espécie.

Num próximo episódio, iremos estudar e tentar descobrir se a firmeza das mamas é inversamente proporcional com a simpatia pré-menstrual.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Conscientemente

"Libet fez uma experiência em que pediu às pessoas que flectissem o punho, o que lhe permitiu medir três coisas: o momento em que as pessoas decidiram conscientemente flectir o pulso, o momento em que a actividade cerebral foi iniciada e o momento em que o pulso de facto foi flectido. A experiência produziu resultados chocantes. Libet descobriu que a primeira coisa a acontecer foi o início da actividade cerebral. Um terço de segundo depois a decisão consciente foi tomada e duzentos milissegundos mais tarde o pulso foi flectido."
"A actividade cerebral ocorreu antes da decisão consciente?", admirou-se Maria Flor. "Antes? Quer dizer que a decisão consciente não iniciou a acção?"
"Foi o que a experiência de Libet demonstrou", confirmou o doutor Colaço. "As consequências dessa descoberta são, como pode calcular, profundas. Parece que o cérebro toma primeiro uma decisão e só depois informa a consciência dessa decisão, tendo contudo o cuidado de a convencer de que foi ela que decidiu. Ou seja, as decisões conscientes parecem-nos conscientes, mas não o são. A consciência não passa de uma ilusão, não no sentido de que não existe, mas no sentido de que é algo diferente do que pensamos.""

Excerto do livro "A Chave de Salomão" de José Rodrigues dos Santos.

Numa perspectiva científica de quem está só a ler o excerto, sem bases nenhumas nem confirmação do background, acho que o começo da actividade cerebral antes da decisão consciente pode não significar uma decisão inconsciente, mas apenas um arranque do cérebro para processar o que tem que fazer; um meter a primeira antes de arrancar com o carro.

Noutra perspectiva, cada vez mais vejo, acredito e me forço a afirmar que tudo o que fazemos é fruto de instintos (ou do inconsciente que, para o caso, vai dar ao mesmo). Não somos mais do que bichos com a mania que sabem o que fazem... quando não sabem coisa nenhuma.
Por outro lado... fico a pensar que, por vezes, a vida é o meu inconsciente, e eu sou um consciente que acha que toma as decisões que ela já fez acontecer.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Quinze

Por norma, tenho anos bons com pontos maus. Dois mil e catorze foi um ano mau com pontos bons.

Hoje a manhã começa bem. Regresso a casa com um sorriso na cara, o sol aquece-me, e ela liga-me mesmo a tempo de apanhar o final de um "Circle of Life " que a rádio se lembrou de tocar, alto e bom som. Só posso interpretar isto como um bom augúrio.

Siyo Nqoba!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Avenida D. Rui Pi

Não quero dar o meu nome a uma rua.
Imaginem que calhava de ser daquelas ruas que depois tinha má fama, daquelas ruas cheias de drógádos e gangs, daquelas ruas por onde as pessoas não gostam de passar porque tem lixo em todo o lado, cheira mal e cuja oferta de serviços sexuais é de fraca qualidade? Mais vale não arriscar.

E estátua. Também não quero uma estátua minha. Ainda corro o risco de as pessoas olharem mais para o meu volume genital do que para a minha cara mal esculpida, como o outro... 
Era chato.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Pequeno diário 81

Já que não precisam de ensinar as crianças a cantar aquela música cuja gravação deve ter uns cinquenta anos, ao menos que treinem o Coro de Santo Amaro de Oeiras para evitar a cara de frete com que todos os anos presenteiam Portugal.