"Como diz a filósofa Pamela Hieronymi, "Um mal passado contra ti, que fica na tua história sem um pedido de desculpa, expiação, retribuição, castigo, restituição, condenação, ou outra coisa qualquer que o faça reconhecer como errado, quer dizer algo. Diz que, na prática, tu podes ser tratado dessa maneira, e que tal tratamento é aceitável." Isto é um dos propósitos dos pedidos de desculpa - reparar o status da vítima. Se me empurras e eu não digo nada, estás a tirar-me a dignidade. Um simples "peço desculpa" pode fazer maravilhas, porque estás a mostrar respeito por mim como pessoa; estás a reconhecer a mim, e possivelmente outros, que não é aceitável fazeres-me mal sem uma causa. Se não dizes nada, estás a enviar uma mensagem bastante diferente. Sem um pedido de desculpas, eu posso ser tentado a recuperar o meu status através de retaliação. Se me empurras e eu te empurro como resposta, eu mostrei que sou um homem que deve ser reconhecido, o que fará com que, no futuro, seja menos provável magoares-me. Mas isto funciona apenas se souberes quem te empurrou e porquê. (Se pensas que foi outra pessoa, ou que eu o fiz por sem querer, então falhei.)"
Tradução livre de um excerto do livro "Just Babies: The Origins of Good and Evil", de Paul Bloom.
Pedir desculpa nem sempre é fácil, mas pode fazer maravilhas. Pedir desculpa não cura o mal que foi feito, mas alivia. É perceber que o foi feito foi mau e, mais do que melhorar o estado da pessoa lesada, é uma aprendizagem para o futuro de quem faz mal. Desculpas sinceras, na altura certa, podem fazer pequenos milagres.
Para mim, um pedido de desculpas feito com consciência é capaz de curar tudo. Para muitos, é apenas o começo de um período de luto, que eventualmente terminará. Seja qual dos efeitos que provoque, acho que um dos sinais máximos de inteligência é saber pedir desculpa e, acima de tudo, sentir as desculpas que são pedidas.
Peço desculpa pelo título.