quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Pequeno diário 78

Pensamento: uma relação amor-ódio é uma relação conflirtuosa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

WC canino

O que é que um cão pensa quando recorre ao seu descampado do costume para fazer o seu cocózinho?

"Vai ser aqui... hmmm... não... mais aqui... hmmm... não, não me parece... talvez aqui. Sim! Aqui é o sítio ideal! Ah... espera... mais cinco centímetros à atrás... dois centímetros para a esquerda... É isto! Este sim, é o local perfeito para defecar! Mas... questiono-me se não estaria melhor dois passos à frente... Por via das dúvidas, faço metade aqui e a meio do serviço desloco-me para ali..."

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Who run the world?

São as músicas de mulheres a darem poder às mulheres. São as músicas de homens a admirar as mulheres, seja ao nível físico, intelectual ou amoroso. São as campanhas de defesa, de aceitação. É mostrar que as "mulheres reais" podem ser independentes, têm curvas, fazem isto, constroem aquilo, safam-se, crescem...

A defesa da mulher está na moda, e acho muito bem. Mas onde anda o verdadeiro feminismo? O desejo por igualdade?
Onde ensinam os homens a aceitar o próprio corpo? A sociedade acha que uma simples palmada na barriga de cerveja é sinal de que se aceitam como são e gostam de si próprios. Onde se permite que os homens tenham todos os tamanhos e feitios? Onde se rejeitam as campanhas publicitárias cheias de six-packs? Quando é que se ouve dizer que um homem pode muito bem fazer a sua vida sozinho e independente? Porque é que o assédio é tão pouco falado no masculino? Porque é que uma mulher pode abrir as pernas no trabalho e subir na carreira, e porque é que um homem se faz o equivalente é despedido?* Porque é que os artistas podem idolatrar grandes rabos femininos, e ninguém me canta uma cançãozinha sobre o meu rabo pequeno?

Na minha perspectiva, a igualdade nunca irá existir enquanto não houver equilibrio naquilo que se defende. Não há igualdade para as mulheres se não houver preocupação em tratar dos homens com quem elas pretendem igualar - torna-se um ciclo vicioso sem fim.  Ninguém pode defender todas as causas, até porque o tempo e a força não dão para tudo... mas uma coisa são as causas que se defendem, outra é a consciência global do que é preciso defender, que acho que está a falhar.

Por mim, era acabar com a distinção e definição de sexos, a não ser no que toca a anatomia e reprodução!

*Para ser lido com precaução e perdoando a generalização, usada apenas para fins de transmissão de mensagem.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Pequeno diário 77

Sem o meu computador, sem os meus entretenimentos típicos, dou por mim a fazer a minha segunda coisa favorita no mundo: ver "A vida nas cartas - O Dilema". 
Deparo-me com uma senhora a descrever o filho.
"Olhe... o meu filho é nem sei o quê."


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Perdoa se peço demais

"Como diz a filósofa Pamela Hieronymi, "Um mal passado contra ti, que fica na tua história sem um pedido de desculpa, expiação, retribuição, castigo, restituição, condenação, ou outra coisa qualquer que o faça reconhecer como errado, quer dizer algo. Diz que, na prática, tu podes ser tratado dessa maneira, e que tal tratamento é aceitável." Isto é um dos propósitos dos pedidos de desculpa - reparar o status da vítima. Se me empurras e eu não digo nada, estás a tirar-me a dignidade. Um simples "peço desculpa" pode fazer maravilhas, porque estás a mostrar respeito por mim como pessoa; estás a reconhecer a mim, e possivelmente outros, que não é aceitável fazeres-me mal sem uma causa. Se não dizes nada, estás a enviar uma mensagem bastante diferente. Sem um pedido de desculpas, eu posso ser tentado a recuperar o meu status através de retaliação. Se me empurras e eu te empurro como resposta, eu mostrei que sou um homem que deve ser reconhecido, o que fará com que, no futuro, seja menos provável magoares-me. Mas isto funciona apenas se souberes quem te empurrou e porquê. (Se pensas que foi outra pessoa, ou que eu o fiz por sem querer, então falhei.)"

Tradução livre de um excerto do livro "Just Babies: The Origins of Good and Evil", de Paul Bloom.

Pedir desculpa nem sempre é fácil, mas pode fazer maravilhas. Pedir desculpa não cura o mal que foi feito, mas alivia. É perceber que o foi feito foi mau e, mais do que melhorar o estado da pessoa lesada, é uma aprendizagem para o futuro de quem faz mal. Desculpas sinceras, na altura certa, podem fazer pequenos milagres.
Para mim, um pedido de desculpas feito com consciência é capaz de curar tudo. Para muitos, é apenas o começo de um período de luto, que eventualmente terminará. Seja qual dos efeitos que provoque, acho que um dos sinais máximos de inteligência é saber pedir desculpa e, acima de tudo, sentir as desculpas que são pedidas.

Peço desculpa pelo título.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Aquele cheiro a mofo

Entro e sinto aquele cheiro a mofo. Traz-me à memória tempos que parecem de há uma vida atrás.
Os ensaios (com excesso de qualidade para o defeito de quantidade), o nervosismo, os convites para a família, os amigos que eram só colegas (mas que eu tinha o secreto desejo de que fossem daqueles amigos a sério... hoje em dia não falamos), a entrada, o nervosismo, a vestimenta (calças de ganga, t-shirt da academia com um logótipo horrendo, sempre!). As afinações, as desafinações, os tremores nas mãos que serviam para enganar o público perante um vibrato perfeito. Olhar com carinho para quem me ensinou mais do que música... e para quem não me ensinou senão música. As luzes, o calor, os aplausos. Os jantares, os vidros partidos, as histórias de vida.
Tanta coisa que aconteceu, há uma vida atrás, naquele cheiro a mofo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lição de moral

"Alguém uma vez me disse - e não tenho certeza de que estivesse a brincar - que a moralidade não é nada mais do que as regras sobre com quem podes ou não podes fazer sexo."

Tradução livre de um excerto do livro "Just Babies: The Origins of Good and Evil" de Paul Bloom.

Hmmm... Pois...