segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 4

Rumo a Zambujeira do Mar para admirar a praia e comprar mantimentos. Pelo andar da coisa, apesar de selvagens e aparentemente desprovidas de exageros, estas férias não são para emagrecer. Almoço de sandes, é certo, mas jantar com arroz, massa, frango, feijão, bife, salada, fruta, doce... Não se come nada mal!

Compras feitas, praia admirada.
Vamos para a fronteira Alentejo-Algarve: Odeceixe.
A praia das Adegas revela-se uma bela pequena surpresa de sol, mar e beleza natural (excepto na parte dos litros de silicone que me vão passando à frente). Contudo, o ponto alto é descobrir o local para pernoitar. Do lado norte da ribeira, deparo-me com um agrupamento de auto-caravanas e tendas junto à água.
No meio dos simpáticos e sorridentes cumprimentos de desconhecidos que partilham o mesmo gosto em improvisar uma cozinha e dormir sobre as estrelas (e crianças, grávidas, portugueses, espanhóis, franceses, alemães...), temos um pequeno paraíso para o campismo selvagem.
Não arriscamos uma fogueira, mas contentamo-nos com o calor das fogueiras dos vizinhos.

Hoje dormimos sem sustos com barulhos estranhos.

16.08.2014



domingo, 24 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 3

Depois de dois dias de passeio, resolvemos dedicar-nos a um dia de praia a sério.
A do Malhão (aquela que procurávamos ontem até ter que chamar o reboque), está mesmo ao pé de casa. Fazemos uma caminhada pelo extenso areal, parámos brigados do vento.

Oh... o sol delicioso. Oh... o mar salgado e frio. Oh... aquelas que são como divãs.
Um local lindo, para um dia bem passado a aumentar o contraste da pele com a areia branca.
Um dia tão bom que, para o aproveitar ao máximo, resolvemos montar a tenda no mesmo sítio.

Tudo se repete: duche, jantar, arrumar, céu, tenda...
Adormeço ao som de algo que o sono transforma em Amy Floyd... ou Pink Winehouse... Lana del Grilos... ou Corujas Clapton...

São cinco da manhã. Tento voltar ao meu sono, depois de uma visita rápida ao WC. Ouço ao meu lado: "O que achas se jogássemos Jenga aqui dentro da tenda?"
Não respondo... sei que amanhã nem se vai lembrar.

15.08.2014



sábado, 23 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 2

Nove horas. É a hora a que acordo. É a quantidade de horas que dormi. Surpreendo-me, visto que nem em casa durmo tanto tempo, por vezes.
Levantamo-nos para um dia cheio de sol e, certamente, perfeito para uma visita a Porto Covo.

Viagem para cá e para lá, graças às más indicações de uma simpática, mas errada, senhora, e lá fomos ter ao pequeno cais da vila.

- Visitas guiadas à Ilha do Pessegueiro, ainda há?
- Vamos ver se o mar deixa.

O mar deixa, sim.
Pessegueiro não há, nem houve. Mas há um simpático guia com toda a sabedoria que uma vida pode dar, e há uma pequena ilha com mais história do que o seu tamanho.

Próxima paragem: Vila Nova de Milfontes.
A internet, algures, disse que, algures, haveria aqui um lugar bom para acampar, algures...
Procuramos o tal sítio e, fora da nacional, envolvemo-nos em estradas e caminhos, algures...
Um agradecimento especial ao reboque da "Pepe Auto" por me desatolar o carro da areia.

A noite está próxima, por isso decido seguir para a estrada logo em frente à outra homónima que nos deixou plantados quase duas horas. Antes que a coisa azede ainda mais, ficamos por aqui.

O duche aqueceu o suficiente para um belo banho quente que, infelizmente, se realizou numa bela noite de vento frio.
Jantar vestido para o Inverno não estava nos planos. O frio não deixa apreciar o momento, a comida, ou o local... até que tudo se arruma e, de repente, olhamos para cima.
Na tenda, cobrimo-nos com um cobertor... no mundo, temos o mais belo lençol de estrelas que alguma vez vi.

14.08.2014




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 1

Acordar cedo, incrivelmente, não custa.
Tomo o pequeno-almoço, guardo a escova-de-dentes e arranco para apanhar a companheira de viagem, a meia hora de caminho.

Road trip que é road trip tem banda sonora. Antigamente, uma mix tape fazia companhia aos viajantes. Em 2014, enfiei no auto-rádio uma pen cheia das melhores relíquias e rockadas... mas o dito cujo faz o favor de só ler a faixa "Maniac". Espero que não seja uma premonição. 

Tróia. Almoçamos rápido porque nos esperam aqueles "peixes" que, por vezes, vêm nas latas de atum.
Três horas no Sado na companhia de golfinhos são sempre boas, mas o conforto e segurança de um barco de dois pisos com espreguiçadeiras e bar em nada se compara à excitação e adrenalina de um semi-rígido de há dez anos atrás.

Rumo à Lagoa de Melides. Hora de armar a barraca e jantar antes de anoitecer.
Escolher o sítio ideal torna-se complicado quando os locais indicados (por um blog que já nem consigo encontrar novamente) estão ocupados por um bando de gente cujos risos e pinturas nas carrinhas indicam que não passam a vida sóbrios.
Algures num isolamento finalmente encontrado, monto tudo, estreio o chuveiro portátil e ataco um belo jantar de arroz e sardinhas enlatadas. Lavo a louça, os dentes e toca a enfiar na tenda.
Noites quentes de Agosto são coisa que não existe.

Receio demorar a adormecer...
Até amanhã.
13.08.2014



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 0

Surge a vontade de aventura. Surge a conversa. Surgem as ideias dos sítios, do sol, da areia e do mar.

Pensa-se num regresso às origens que, na realidade, nunca o foram. Pensa-se na evolução em direcção ao primitivo.

Faz-se a lista.
Compra-se a tenda (e agradece-se a fácil montagem), arranja-se a mesa, dá-se uma lavagem aos sacos cama.

Prepara-se a viagem que, à falta de melhor expressão, é A road trip.

Não sei se me espera uma viagem espiritual, um retiro para descoberta, uma semana de dores de cabeça e mosquitos, um recarregar de baterias, uns dias de monotonia ou uma intensa aventura.
Não sei... mas vou descobrir.

Duas pessoas. Campismo selvagem. Costa Alentejana. Costa Algarvia.

Até daqui a uma semana! Volto já!

domingo, 10 de agosto de 2014

Devo preocupar-me? - parte 2


Há mais de um ano (sei que foi esse tempo todo porque me lembro bem das especificidades do sonho), sonhei que levei o meu irmão a um restaurante chinês completamente fictício.

Hoje à noite, sonhei que saí com o meu irmão e que ele me informou de que íamos jantar a um restaurante chinês muito bom. Quanto chegamos ao dito, surpreendo-me e digo-lhe "Ó cromo, fui eu que te trouxe aqui a primeira vez, aqui há uns tempos". "Oh... pois foi...", foi a resposta dele. O sítio era exactamente o mesmo, ao ponto de eu ainda me lembrar do aspecto da rua e tudo!

Não admira que a minha memória, quando acordado, não seja das melhores. Está ocupada com locais e eventos fictícios que ocorrem quando durmo. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

As cápsulas e o abdicar dos pequenos prazeres da vida

A vida é feita de pequenos prazeres. 
Na ânsia de vivermos integrados na sociedade, com a vontade de vivermos seguindo as modas, por vezes esquecemo-nos dessas pequenas coisas... o que é quase esquecer de viver.

As cápsulas de café são um entrave à experiência de um desses momentos de alegria. O processo de fazer um café expresso em casa perde grande parte da sua piada, porque perde o que será talvez a sua melhor característica: o cheiro a café moído.

A vida é feita de pequenos prazeres. Um pires de amendoins, acompanhado de coca-cola é um deles. O cheiro a pó de café é outro.

Ah! E o café de cápsulas não me sabe tão bem...