sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 1

Acordar cedo, incrivelmente, não custa.
Tomo o pequeno-almoço, guardo a escova-de-dentes e arranco para apanhar a companheira de viagem, a meia hora de caminho.

Road trip que é road trip tem banda sonora. Antigamente, uma mix tape fazia companhia aos viajantes. Em 2014, enfiei no auto-rádio uma pen cheia das melhores relíquias e rockadas... mas o dito cujo faz o favor de só ler a faixa "Maniac". Espero que não seja uma premonição. 

Tróia. Almoçamos rápido porque nos esperam aqueles "peixes" que, por vezes, vêm nas latas de atum.
Três horas no Sado na companhia de golfinhos são sempre boas, mas o conforto e segurança de um barco de dois pisos com espreguiçadeiras e bar em nada se compara à excitação e adrenalina de um semi-rígido de há dez anos atrás.

Rumo à Lagoa de Melides. Hora de armar a barraca e jantar antes de anoitecer.
Escolher o sítio ideal torna-se complicado quando os locais indicados (por um blog que já nem consigo encontrar novamente) estão ocupados por um bando de gente cujos risos e pinturas nas carrinhas indicam que não passam a vida sóbrios.
Algures num isolamento finalmente encontrado, monto tudo, estreio o chuveiro portátil e ataco um belo jantar de arroz e sardinhas enlatadas. Lavo a louça, os dentes e toca a enfiar na tenda.
Noites quentes de Agosto são coisa que não existe.

Receio demorar a adormecer...
Até amanhã.
13.08.2014



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Diário de Road Trip - dia 0

Surge a vontade de aventura. Surge a conversa. Surgem as ideias dos sítios, do sol, da areia e do mar.

Pensa-se num regresso às origens que, na realidade, nunca o foram. Pensa-se na evolução em direcção ao primitivo.

Faz-se a lista.
Compra-se a tenda (e agradece-se a fácil montagem), arranja-se a mesa, dá-se uma lavagem aos sacos cama.

Prepara-se a viagem que, à falta de melhor expressão, é A road trip.

Não sei se me espera uma viagem espiritual, um retiro para descoberta, uma semana de dores de cabeça e mosquitos, um recarregar de baterias, uns dias de monotonia ou uma intensa aventura.
Não sei... mas vou descobrir.

Duas pessoas. Campismo selvagem. Costa Alentejana. Costa Algarvia.

Até daqui a uma semana! Volto já!

domingo, 10 de agosto de 2014

Devo preocupar-me? - parte 2


Há mais de um ano (sei que foi esse tempo todo porque me lembro bem das especificidades do sonho), sonhei que levei o meu irmão a um restaurante chinês completamente fictício.

Hoje à noite, sonhei que saí com o meu irmão e que ele me informou de que íamos jantar a um restaurante chinês muito bom. Quanto chegamos ao dito, surpreendo-me e digo-lhe "Ó cromo, fui eu que te trouxe aqui a primeira vez, aqui há uns tempos". "Oh... pois foi...", foi a resposta dele. O sítio era exactamente o mesmo, ao ponto de eu ainda me lembrar do aspecto da rua e tudo!

Não admira que a minha memória, quando acordado, não seja das melhores. Está ocupada com locais e eventos fictícios que ocorrem quando durmo. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

As cápsulas e o abdicar dos pequenos prazeres da vida

A vida é feita de pequenos prazeres. 
Na ânsia de vivermos integrados na sociedade, com a vontade de vivermos seguindo as modas, por vezes esquecemo-nos dessas pequenas coisas... o que é quase esquecer de viver.

As cápsulas de café são um entrave à experiência de um desses momentos de alegria. O processo de fazer um café expresso em casa perde grande parte da sua piada, porque perde o que será talvez a sua melhor característica: o cheiro a café moído.

A vida é feita de pequenos prazeres. Um pires de amendoins, acompanhado de coca-cola é um deles. O cheiro a pó de café é outro.

Ah! E o café de cápsulas não me sabe tão bem...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

E o tempo?

Dois meses no desemprego. Dois meses em que, graças à criação de hortas urbanas aqui no concelho, me dedico em parte à agricultura caseira.
O que é que aprendi? Entre outras coisas, que se capam tomates, que se cortam as pontas ao alho-francês, que "remangada" é uma palavra fixe, que os pequenos insectos que dão cabo das plantas não gostam de chá e, acima de tudo, que, no campo, falar do tempo não é conversa de circunstância.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Manana

"É também por isso que raramente agradecemos, manana, porque acreditamos que um Pashtun* nunca se esquece de uma boa acção e é obrigado a ser recíproco a certa altura, tal como o fará com uma má acção. A bondade só pode ser paga com bondade. Não pode ser paga com expressões como 'obrigado'."

Tradução livre de um excerto do livro "I am Malala: The Girl Who Stood Up for Education and was Shot by the Taliban", de Malala Yousafzai e Christina Lamb.

Acredito no valor das palavras ditas. Acredito no sentimento sincero que espero que esteja por trás delas. No fundo, em maior ou menor medida, todos nós acreditamos nisso. Mas... se calhar... deviamos todos acreditar menos um pouco.

*Grupo étnico-linguístico do Afeganistão e Paquistão.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Pequeno diário 74

Conhecem a expressão "quando mija um português, mijam logo dois ou três"? Acho que, com os aviões, a coisa funciona mais ou menos da mesma maneira...