sexta-feira, 27 de junho de 2014

Existencialidades de criança

Outro dia deparei-me com a seguinte frase:
"Podes levar um cavalo à água, mas não podes provar que alguma coisa seja real."

Lembrei-me que, quando era mais novo, ainda uma criança, pensava várias vezes (especialmente quando me apercebia que até tinha uma boa vida) que havia sempre a possibilidade de, na realidade, eu ser um puto miserável que estava apenas em coma a imaginar anos e anos de vida. Pensava no choque que seria se acordasse, ao mesmo tempo que desejava acordar para, pelo menos, saber qual a real realidade da minha vida... largar a bênção da ignorância.

Hoje em dia, tenho deixada para trás a ideia do coma e fico-me apenas com a ideia de que pode nada disto ser real e que há um número infinito de hipóteses alternativas a um simples estado vegetativo.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Devo preocupar-me?

Há uns três meses sonhei que entrei numa espécie de colégio interno nazi. Tirando o facto de eu andar revoltado com a situação e de os horários das aulas serem muito confusos, a cena era estranhamente normal.

Hoje voltei a sonhar com isso, ao longo de toda a noite (voltava ao sonho, mesmo depois de acordar e voltar a adormecer) e, no sonho, descobri que tinha andado a faltar às aulas nos últimos três meses.

Devo preocupar-me com a minha sanidade mental e/ou com o meu sub-consciente?

terça-feira, 17 de junho de 2014

O perdão da experiência

Sentado numa sala de espera, um estranho barulho de sucção rica em saliva é das poucas coisas que me distrai do cheiro a chulé e suor que se faz sentir. Olho para o lado e vejo um homem com os dedos na boca e a brincar com a dentadura. Todo um misto de nojo se apoderou de mim (o som era muito, muito nheca, à falta de melhor definição) e confesso que não estava cem por cento sem vontade de vomitar.

Chego a casa e conto o episódio ao meu irmão, ao que ele me responde "Não te esqueças que já usaste aparelho*". E assim, de repente, tem-se uma lição de vida. O meu passado não permitiu retirar a imagem nojenta da minha cabeça, mas deixou que houvesse uma espécie de perdão por aquela pessoa que estava simplesmente a passar o tempo.

*Removível.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Pequeno diário 72

Festejar os santos é para meninos. Cá em casa festejam-se os demónios.
Motxos, coruxas, xapos e brutxas...
Sexta-feira 13 é em Montalegre!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Contemporânea clássica

A partir de que altura é que a arte contemporânea passa a ser considerada arte clássica? Quantos anos é que uma obra precisa de ter para mudar de estatuto?
Ou o conceito de "arte contemporânea" é algo que surgiu tão recentemente que ainda nenhuma peça passou pela experiência de passar a ser uma quase antiguidade.
De há quantos anos para cá é que uma coisa é contemporânea?

Tenho dúvidas.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Pequeno diário 71

Da sala de espera, houve-se a conversa que acontece no gabinete ao lado.
"(...) São Vicente. Aquele do Auto da Barca do Inferno."

E os Pequenos diários voltam à sua contagem normal.

sábado, 31 de maio de 2014

Antagónicos adeuses

Há um ano atrás despedi-me dela com um misto de alegria e dor. Deixei-a (ou foi ela me deixou a mim?) com alguma mágoa, mas sabendo que ela já não havia como continuar o que havia entre nós. Deixou (e ainda deixa) saudades dos bons momentos, alguma angústia pelos maus, mas ambos sabíamos que havia chegado o fim. Deixei-a.
Não esperei encontrar outra tão rapidamente, mas encontrei. No entanto, nunca imaginei vir a gostar dela como gosto. Vista de fora, de longe, parecia fria e dava ares de que nunca me iria receber tão bem quanto recebeu. Achei que nunca iria criar a ligação que criei, especialmente sabendo que o que eu e ela tínhamos os dias contados. Mas reparei que tinha uma luz especial, um carisma particular. Quando dei conta, os dias contados passaram a ser mais do que o previsto...

Agora, ao fim de um ano, dou por mim exactamente na mesma situação, numa situação completamente diferente: a despedir-me. Mas há uma grande diferença em dizer adeus a um sítio onde começo a perder raízes e dizer adeus a outro onde as começo a ganhar.

Pode ser que volte. Espero voltar.

Para já, adeus Lisboa.