segunda-feira, 5 de maio de 2014

Até a Barack Obama

Durante o Jantar dos Correspondentes (uma cena qualquer janota dos jornalistas + Casa Branca), o senhor Barack Obama disse, em tom piadético: "O ano passado, Pat Buchanan disse que era certo que Putin ia receber o Prémio Nobel da Paz. (...) Eu sei que parece loucura, mas, para ser franco, agora dão esse prémio a qualquer um".
Sou só eu que achei a piada de extremo mau gosto? Em nem meia dúzia de frases conseguiu brincar com coisas tão importantes/sérias/graves como o estado actual da Ucrânia, o Prémio Nobel e a paz mundial. 
Sou fã de humor negro e sou o primeiro a achar piada a coisas que dão bilhete directo para o inferno, mas faz-me sempre muita confusão quando uma pessoa com importância e exposição mediática global vem a público brincar com coisas sérias. 
Uma coisa é o que se diz em casa, outra é o que se à frente do mundo (e o facto de o jantar ter sido em casa da pessoa a quem os extraterrestres vêm sempre pedir satisfações não é desculpa).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 30

Vou começar a dizer "ó velho" quando alguém me diz "ó jovem".

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Um susto de charme

O paranormal atrai-me. Saber que, à noite, naquele sítio se ouvem gemidos vindos do nada. Descobrir que
aquela casa está assombrada. Ouvir dizer que tal pessoa ouviu dizer que tal pessoa viu um vulto branco a passar.

A aura de mistério e de desconhecido despertam-me curiosidade; não o suficiente para me enfiar acompanhado apenas de uma lanterna numa mansão a cair aos bocados, quanto mais não seja porque, como mandam as leis da física, as lanternas falham sempre nessas alturas; mas mais do que suficiente para me fazerem vibrar levemente de excitação quando leio ou ouço falar de certas coisas. A piada adensa-se quando associo também toda a cultura "moderna" paranormal que existe desde há décadas, e é quase tão interessante ver o relato de uma história fidedigna, como ver fotografias forjadas e cenas inventadas.

Acho um certo charme ao facto de ter havido uma época em que as espiritualidades mais assustadoras estavam na moda. Que uma ida à casa de um médium era o equivalente social a ir ao cinema ou ao teatro.
E, como todas as modas acabam por voltar, espero também que um dia destes eu vista a minha melhor roupa de domingo e vá com amigos ver alguém vomitar ectoplasma. Até lá, fico com os falsos medos que, pela sua verdadeira estranheza, acabam por perder a falsidade.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 29

25 de Abril. Aquela data em que uma rosa chamada "frô" é trocada por uma flor chamada "cráv".

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Estou a perder a arte de procrastinar

Se a investigação os tem, a investigação em grupo, em que cada elemento tem uma função mais ou menos definida, interligada com as funções dos outros, tem-nas ainda mais. Refiro-me aos tempos mortos. 
Por vezes o trabalho de um abranda até perto do coma produtivo até que um outro faça a sua parte para reanimar a labuta. Neste momento, estou nessa fase de espera por conta de outrem, e apercebo-me que estou a perder a capacidade de fazer aquilo que dantes era natural para mim: a procrastinação.
Podem dizer que, se não estou de facto a trabalhar, então também não poderei considerar que possa procrastinar. No entanto, para chegar ao fim do dia pensando que tentei ser útil, prefiro pensar que tinha trabalho real e intenso para fazer, mas me perdi pelo mundo virtual, evitando-o. Assim, não só dá ideia que, de facto, tinha trabalho, como também acabo por ocupar as horas mortas.
O problema é que estou a perder a capacidade de matar as horas mortas. Já corri os blogs do costume, já corri as redes sociais do costume, já vi as notícias... tudo o costume mas, ao contrário do costume, não estou desocupacionalmente satisfeito. 
Talvez a culpa seja da falsa procrastinação. Quando há trabalho para fazer, até a parede à minha frente tem piada. No estado em que me encontro agora... é a parede do costume.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 28

Estava colocado na porta da sala de trabalho um papel a informar que o chão havia sido encerado e que deveríamos esperar dez minutos antes de entrar.
A questão é: dez minutos começados a que horas? 

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Dividi por zero

Creio que hoje, durante a noite, o meu cérebro tentou dividir por zero e auto-destruir-se, tendo sido uma sorte eu acordar a tempo.
Não me lembro dos detalhes do sonho mas sei que alguém me disse dois factos nos quais eu tinha que acreditar. Acontece que essas duas verdades eram impossíveis de existir em simultâneo, no entanto, o meu cérebro queria acreditar nisso. Senti uma confusão enorme enquanto negava e aceitava ao mesmo tempo. Foi aí que acordei com uma vontade enorme de vomitar que demorou uns dez minutos a passar.

Tenho de começar a ter cuidado comigo mesmo.