sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Mentol sexy

A acreditar nas embalagens, o meu dentífrico é de "menta sem limites" e as minhas chiclets são de "menta fresca".
Para quando rebuçados de "menta assanhada"? Gelado com topping de "menta rebelde"? After-eight com "menta dominatrix"?

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 18

Quando ensinam as crianças que "não se olha directamente para o sol", deviam incluir também "não se olha directamente para os reclames luminosos de farmácias". 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

"Men are struggling today"

"Os homens estão a esforçar-se arduamente, hoje em dia. Ninguém quer falar sobre isso, mas estão.
(...)
Os homens constituem a maioria das pessoas na prisão, e também têm sentenças mais longas do que as mulheres, quando cometem o mesmo crime. As mulheres estão a formar-se a uma taxa muito mais elevada que os homens, em todos os níveis de escolaridade. Os homens têm quatro vezes mais probabilidade de cometer suicídio. Quase todas as leis entre géneros favorecem a mulher (custódia, suporte familiar, apoio de filhos, distúrbios/violência doméstica). E não existem "centros para homens" que apoio, como existem para mulheres. E os homens, como já dissemos, são encorajados a não falar sobre estes assuntos a amigos ou família."

Tradução livre de um excerto do texto "Men are struggling today" de Aleanbh Ní Chearnaigh.

Corro o risco de me tornar pouco original com estas traduções livres, mas faz sempre bem lembrar que, apesar de milhares de anos de história, ainda estamos muito atrasados nas coisas mais básicas.
Afecta-me mais do que o que previa aperceber-me que a humanidade ainda tem tanto que andar e que continua a resistir a certas perfeições que, se formos a ver bem, não devem ser assim tão difíceis de alcançar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 17

Mete-me impressão quando uma pessoa tem tempo para depilar tudo o que é pêlo corporal do pescoço para baixo, mas não arranjar um minuto para cortar as unhas dos pés.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dura praxis, asini populus

Com a morte dos jovens na praia do Meco, vem novamente à baila o tema "praxe". São pais a falarem em crime, é uma universidade a abrir inquéritos, é a comunicação social a insistir na influência da praxe na tragédia. Apesar de os factos ainda não estarem devidamente apurados, os programas da manhã já têm pessoas com "Dr." no nome a falar sobre as pressões sociais que a praxe implica.

O argumento de que "ninguém é obrigado a participar na praxe" resulta em quase nada, uma vez que é contraposto com o facto de o meio fazer com que, apesar de não obrigada, uma pessoa seja levada a fazer certas coisas no âmbito da "integração académica". Daí ao crime, é um passo pequeno.
Nessa perspectiva, proponho que se abram inquéritos-crime relativamente a anúncios que incitam as mulheres a emagrecer de forma doentia, que se caia em cima das empresas de fast-food que levam a que as pessoas se encham de inimigos da saúde cardiovascular, que se processem os filmes por fazerem com que fumar pareça algo muito fixe...

Ou então, se calhar... só se calhar... a incriminar (mesmo não-oficialmente), que se incrimine uma sociedade que não deixa criar pessoas que pensem pela sua própria cabeça, e que o pessoal deixe de ser burro.
Se calhar...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O que fazemos todos quando esperamos o prato?

Sentado sozinho, numa mesa para quatro, aguarda que o seu almoço seja servido. Do seu lado esquerdo repousa um livro fechado. O seu olhar fita o lugar onde a sua refeição será colocada (ainda terá que esperar um bom quarto de hora). Os olhos não se mexem, o pestanejar é raro e nem a senhora vestida de cor-de-rosa-choque que passa ao seu lado lhe desvia o olhar.
O que é que vai naquela cabeça?
Será o vácuo ou será um constante de big-bangs?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

I (want to) believe

O carro seguia algures numa Estrada Nacional alentejana. Uma daquelas rectas no meio dos campos que, tanto quanto a vista permite, pode muito bem ir dar à margem do mundo, fazendo com que a viagem acabe com um estado de à deriva no espaço.
Do lado direito, uma infinidade de verde. Do lado esquerdo, à frente, no fim de uma igual infinidade, um bosque do que julgo serem eucaliptos.
No banco de trás, do lado esquerdo, encosto a cabeça ao vidro e fico a apreciar a paisagem até que, por cima do bosque, reparo em algo. Uma forma oval que girava sobre si própria ao mesmo tempo que se deslocava horizontalmente através do ar. A distância não muito grande não deixava dúvidas: não era um pássaro, não era um avião... mas também não era o Super-Homem, nem um helicóptero, nem um balão. Era apenas um objecto metálico, do tamanho de um carro.
Do nada, uma casa junto à estrada surgiu no meu campo de visão. Tão depressa quanto apareceu, desapareceu. Voltei a focar o olhar no céu sobre os eucaliptos.
Uma infinidade de azul.