O carro seguia algures numa Estrada Nacional alentejana. Uma daquelas rectas no meio dos campos que, tanto quanto a vista permite, pode muito bem ir dar à margem do mundo, fazendo com que a viagem acabe com um estado de à deriva no espaço.
Do lado direito, uma infinidade de verde. Do lado esquerdo, à frente, no fim de uma igual infinidade, um bosque do que julgo serem eucaliptos.
No banco de trás, do lado esquerdo, encosto a cabeça ao vidro e fico a apreciar a paisagem até que, por cima do bosque, reparo em algo. Uma forma oval que girava sobre si própria ao mesmo tempo que se deslocava horizontalmente através do ar. A distância não muito grande não deixava dúvidas: não era um pássaro, não era um avião... mas também não era o Super-Homem, nem um helicóptero, nem um balão. Era apenas um objecto metálico, do tamanho de um carro.
Do nada, uma casa junto à estrada surgiu no meu campo de visão. Tão depressa quanto apareceu, desapareceu. Voltei a focar o olhar no céu sobre os eucaliptos.
Uma infinidade de azul.