Com a morte dos jovens na praia do Meco, vem novamente à baila o tema "praxe". São pais a falarem em crime, é uma universidade a abrir inquéritos, é a comunicação social a insistir na influência da praxe na tragédia. Apesar de os factos ainda não estarem devidamente apurados, os programas da manhã já têm pessoas com "Dr." no nome a falar sobre as pressões sociais que a praxe implica.
O argumento de que "ninguém é obrigado a participar na praxe" resulta em quase nada, uma vez que é contraposto com o facto de o meio fazer com que, apesar de não obrigada, uma pessoa seja levada a fazer certas coisas no âmbito da "integração académica". Daí ao crime, é um passo pequeno.
Nessa perspectiva, proponho que se abram inquéritos-crime relativamente a anúncios que incitam as mulheres a emagrecer de forma doentia, que se caia em cima das empresas de fast-food que levam a que as pessoas se encham de inimigos da saúde cardiovascular, que se processem os filmes por fazerem com que fumar pareça algo muito fixe...
Ou então, se calhar... só se calhar... a incriminar (mesmo não-oficialmente), que se incrimine uma sociedade que não deixa criar pessoas que pensem pela sua própria cabeça, e que o pessoal deixe de ser burro.
Se calhar...