quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dura praxis, asini populus

Com a morte dos jovens na praia do Meco, vem novamente à baila o tema "praxe". São pais a falarem em crime, é uma universidade a abrir inquéritos, é a comunicação social a insistir na influência da praxe na tragédia. Apesar de os factos ainda não estarem devidamente apurados, os programas da manhã já têm pessoas com "Dr." no nome a falar sobre as pressões sociais que a praxe implica.

O argumento de que "ninguém é obrigado a participar na praxe" resulta em quase nada, uma vez que é contraposto com o facto de o meio fazer com que, apesar de não obrigada, uma pessoa seja levada a fazer certas coisas no âmbito da "integração académica". Daí ao crime, é um passo pequeno.
Nessa perspectiva, proponho que se abram inquéritos-crime relativamente a anúncios que incitam as mulheres a emagrecer de forma doentia, que se caia em cima das empresas de fast-food que levam a que as pessoas se encham de inimigos da saúde cardiovascular, que se processem os filmes por fazerem com que fumar pareça algo muito fixe...

Ou então, se calhar... só se calhar... a incriminar (mesmo não-oficialmente), que se incrimine uma sociedade que não deixa criar pessoas que pensem pela sua própria cabeça, e que o pessoal deixe de ser burro.
Se calhar...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O que fazemos todos quando esperamos o prato?

Sentado sozinho, numa mesa para quatro, aguarda que o seu almoço seja servido. Do seu lado esquerdo repousa um livro fechado. O seu olhar fita o lugar onde a sua refeição será colocada (ainda terá que esperar um bom quarto de hora). Os olhos não se mexem, o pestanejar é raro e nem a senhora vestida de cor-de-rosa-choque que passa ao seu lado lhe desvia o olhar.
O que é que vai naquela cabeça?
Será o vácuo ou será um constante de big-bangs?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

I (want to) believe

O carro seguia algures numa Estrada Nacional alentejana. Uma daquelas rectas no meio dos campos que, tanto quanto a vista permite, pode muito bem ir dar à margem do mundo, fazendo com que a viagem acabe com um estado de à deriva no espaço.
Do lado direito, uma infinidade de verde. Do lado esquerdo, à frente, no fim de uma igual infinidade, um bosque do que julgo serem eucaliptos.
No banco de trás, do lado esquerdo, encosto a cabeça ao vidro e fico a apreciar a paisagem até que, por cima do bosque, reparo em algo. Uma forma oval que girava sobre si própria ao mesmo tempo que se deslocava horizontalmente através do ar. A distância não muito grande não deixava dúvidas: não era um pássaro, não era um avião... mas também não era o Super-Homem, nem um helicóptero, nem um balão. Era apenas um objecto metálico, do tamanho de um carro.
Do nada, uma casa junto à estrada surgiu no meu campo de visão. Tão depressa quanto apareceu, desapareceu. Voltei a focar o olhar no céu sobre os eucaliptos.
Uma infinidade de azul. 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Na senda do gostar do que se faz

Será que o pessoal que trabalha em revistas cor-de-rosa faz o que faz com verdadeiro gosto e emoção ou pensa todos os dias "vamos lá dar a ração às ovelhas"?
Será que se sentem bem por terem que, todos os dias, ir descobrindo quais os novos falsos casais que se formam e quais os rumores de gravidezes mais compatíveis com os vestidos que se usam nas galas?

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Crescemos para fora dela

"As crianças arriscam. Não têm medo de estar erradas.
Se não estás preparado para estar errado, nunca farás nada original.
E quando chegam a adultos, a maioria das crianças perdeu essa capacidade. Ficaram com medo de estar erradas.
Estigmatizamos os erros. E estamos agora  executar sistemas nacionais de educação onde os erros são a pior coisa que podes fazer. Estamos a educar as pessoas excluindo as suas capacidades criativas.
Picasso uma vez disse "Todas as crianças nascem artistas. O problema é mantermo-nos artistas à medida que crescemos."
Não crescemos para a criatividade, crescemos para fora dela."

Tradução livre de um excerto da TED Talk de Ken Robinson.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O gosto da arte

Será possível fazer-se arte sem se gostar do que se faz? Não me refiro ao sentido de se achar que a execução artística é boa ou má, mas sim se o criador consegue olhar para a sua criação e não gostar dela por aquilo que ela é.
Se calhar o não gostar até poderá ser parte do conceito do artista. Ele pode criar a coisa mais feia que consegue... mas, ao mesmo tempo, se é essa a sua intenção, poderá ele desgostar do que faz? Será possível contradizer-se de tal forma?

Foi o pensamento que me surgiu... do nada...
Não gosto.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pequeno diário - Lisboa edition 16

A "Lisboa edition" era para acabar este mês mas, pelos vistos, vai continuar por mais uns tempos. A capital não se vai livrar já de mim!