quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dixxx a notícia

Diz a notícia que a actriz pornográfica portuguesa Érica Fontes é a celebridade mais procurada no Google Portugal, ficando à frente do Cristiano Ronaldo.
Noções de celebridade à parte, fico contente com a notícia. Não só os portugueses estão a deixar de ser os seus próprios turistas que só conhecem o país pelo futebol, como se começa a ver que há por aí talento diversificado reconhecido. Uma Bola de Ouro é tão boa quanto um Grammy, quanto um Urso de Ouro, e todos eles quanto um... Dildo de Ouro...  Por outro lado, o sexo começa a desmistificar-se e a pornografia começa a deixar de ser uma coisa que deva ser mantida oculta. As mentalidades começam a ver o corpo humano e a sexualidade de uma forma mais aberta. Além disso, o reconhecimento estrangeiro (que para o tuga é sempre uma coisa importantíssima) alarga-se a mais uma área, que não nos deve orgulhar menos do que qualquer uma das outras.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Quatrocentos e vinte e nove

O comboio chegava à estação quando uma das paredes rebenta e uma enxurrada começa a inundar o local. Ouvem-se gritos por entre os sons de cascata e destruição. Tudo começa a inundar. No meio da confusão, molhado, desesperado, um homem grita-me repetidamente "Quatrocentos e vinte e nove! Lembra-te deste número! Quatrocentos e vinte e nove!".

Acordei. Pego num post-it e aponto. 429.
Saio à rua e o meu dia decorre até que chego a uma estação de comboios. Quando reparo, há água a encher as linhas e as paredes começam a ceder. "Quatrocentos e vinte e nove!", grito eu. "Vejam se encontram alguma coisa relacionada com este número, porque eu sonhei com isto!!". As pessoas desesperam enquanto tentam dar-me ouvidos.

Acordei. Divirto-me com a situação. Já há algum tempo que não tinha um sonho dentro de um sonho.
No trabalho, conto a história aos meus colegas, descrevendo todo o catastrofismo e a necessidade urgente de encontrar um significado para aquele número.

Acordei. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sexta-feira, o último dia das quarenta horas

""Então qual é a resposta?" 
"Livrarmo-nos dos pensadores inteligentes. Tirá-los do poder." 
"Mas aí perderíamos todos os avanços-"
"Que avanços?" disse Malcolm, irritado. "O número de horas que as mulheres dedicam às tarefas domésticas não mudou desde 1930, apesar de todos os avanços. Todos os aspiradores, máquinas de lavar, compactadores de lixo (...), tecidos lava-e-usa... Porque é que ainda demora tanto tempo a limpar a casa quanto demorava em 1930?"
Ellie não disse nada.
"Porque não houveram avanços nenhuns," disse Malcolm. "Não mesmo. Trinta mil anos atrás; quando os homens andavam a fazer pinturas nas cavernas em Lascaux, trabalhavam vinte horas por semana para se abastecerem com comida e abrigo e roupa. Com o resto do tempo, eles podiam brincar, ou dormir, ou fazer o que lhes apetecesse. E viviam num mundo natural, com ar limpo, água limpa, belas árvores e pôr-do-sol. Pensa nisso. Vinte horas por semana. Trinta mil anos atrás."
Ellie disse, "Queres voltar atrás no tempo?"
"Não," disse Malcolm. "Quero que as pessoas acordem. Tivemos quatrocentos anos de ciência moderna e devíamos saber para o que é boa e para o que não é boa. É tempo de mudar."
"Antes de destruirmos o planeta?" disse ela.
Ele suspirou e fechou os olhos. 
"Minha cara," disse ele. "Essa é a última coisa com que me preocuparia.""

in «Jurassic Park», de Michael Crichton (tradução livre).

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Pequeno diário - Lisboa edition 15

Hoje o dia está como as músicas da Mafalda Veiga...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Pequeno diário - Lisboa edition 14

Tenho medo quando uma turma de cerca de vinte a trinta crianças do infantário entra na estação do metro, todos contentes a contar de um até cem, enquanto o rapazinho da frente diz apenas "Isto é o apocalipse! O apocalipse!".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Puto prevenido vale por dois

Não é desconhecido do público em geral que sempre fui e minimamente preocupado com possíveis situações negativas e preparado com a fuga ou resolução das mesmas. É do conhecimento público que tinha (e tenho) um plano de fuga de minha casa que implica passar pela gaveta das facas.
Ora, hoje lembrei-me de mais uma pérola da minha infância prevenida: quando era miúdo, em tempo de férias (logo, demais horas na cama), comia sempre alguma coisa antes de dormir (nem que fosse um rebuçado) para evitar coisas como... morrer à fome durante o sono.

Beat that, Bear Grylls!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nunca fui tão insultado

Já me chamaram muita coisa. Já falaram mal de mim pelas costas, pela frente, pelos lados. Já me atribuíram características negativas que estavam bem longe da verdade. Já me recusaram a razão que tinha. Já me acusaram de muita coisa... mas nunca me senti tão insultado como noutro dia quando me disseram "Tens cara de quem facilmente virava vegetariano".

Só para informar que o almoço de ontem foi arroz de cabidela, daquele bem escuro, e repeti a dose.