sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Carta aberta

Caro(a) senhor(a),

A pior parte da sua cara está longe de ser os seus olhos remelados, tampouco as suas olheiras. Não há luz do sol dentro do metro/edifício. Mal  por mal, mais vale não se armar em famoso(a) nem fazer figura de parvo(a). Isto não é a Casa dos Segredos.

Atenciosamente,

Rui Pi

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Alienutópico

Utopia. Alienação.
Há-de haver uma linha que separa essas duas coisas, certamente... e não sei bem de que lado é que estou ou vou estando.
Por aí, algures...

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Pequeno diário - Lisboa edition 13

Quanto assisto a defesas de teses de mestrado ou doutoramento fico sempre a pensar "Rais parta o arguente que não faz uma discussão decente sobre o trabalho! Está aqui uma pessoa para assistir e o gajo nem sequer pensa nisso!". Só depois me recordo que se trata de uma avaliação e que eu não paguei sequer bilhete à entrada para ver um espectáculo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Como ser Lana del Rey

"Muda o teu nome. Usa uma máscara. Veste-te como belo lixo. Veste-te como os teus ídolos de infância. Conhece as tuas próprias fantasias. Torna-te nelas.
Fala como uma boneca nervosa. Canta como um fantasma. Escreve melodias que soam como veludo derretido. Escreve canções que soam como uma queda no mar. Deixa-te levar pelas tuas próprias melodias melancólicas. Perde-te dentro dos teus próprios sonhos drogados.
Reveste-te totalmente em arte. Estetiza os teus sentimentos. Apercebe-te que o artifício tem a sua própria forma de ser autêntico. Percebe que a parte de ti mais verdadeira é a fantasia de quem tu tentas ser. Filma-te numa montagem de todos os teus sonhos até te tornares neles. Lembra-te que a transformação não é o mesmo que fraudulência. A verdade não tem cronologia definida. Matar o teu antigo eu não é assassinato se ela nunca tiver existido de todo.
Torna-te a tua mística no teu motivo. Cria as tuas próprias falsas tragédias. Confia à internet todos os teus imaginados anos em que viveste um parque de roulottes. (…)
Percebe que só te sentes segura quando olhas do outro lado do reflexo distorcido dos teus próprios sonhos. Receia que um dia alguém chegue e te tire esses sonhos."

Tradução livre do texto "How To Be Lana Del Rey", de Rachel Ament.

O texto está centrado numa pessoa, mas podia ser usado para toda a gente. As pessoas são tão pressionadas para serem elas próprias, hoje em dia, que o que acabam realmente por ser é o que as outras pessoas à sua volta pensam que elas devem ser no seu sentido falsamente individual. No fim, acabam por acreditar que aquilo que são é realmente a sua verdade quando, talvez na maioria das vezes, o seu verdadeiro eu é uma multitude de diferentes personagens e vidas.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Pequeno diário - Lisboa edition 12

Há quem use a técnica de defecar no WC do local de emprego para roubar tempo de labuta. E há pessoas competentes que estão na sanita no decorrer de um telefonema de trabalho.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Sobre as manifs

Concordo totalmente com a realização de manifestações públicas, quando os motivos são válidos. Acho muito bem que o povo vá para a rua e demonstre o seu descontentamento por aquilo que tem que demonstrar. No entanto, concordo ainda mais com a realização de coisas com sentido e aplicadas à realidade do momento.
Sejamos sinceros, quando foi a última vez que uma manifestação em Portugal causou de facto alguma mudança positiva no decurso das coisas? Nem para abrir os olhos as manifs têm servido. É notícia no telejornal à hora de jantar do próprio dia e à hora de almoço do dia seguinte e... fica-se por aí. Uns dizem que foram milhares de cabeças, outros dizem que foi meia dúzia de gatos pingados; e nunca mais se fala da meia dúzia ou dos milhares que foram para a rua com as melhores intenções e palavras de ordem do mundo. E a nível internacional o resultado é ainda pior; no máximo temos Espanha a dar uma pequena referência ao caso.
Chegou-se a uma altura em que, semana sim, semana não, o pessoal se junta numa qualquer praça conhecida e aquilo que é um exercício da liberdade de expressão de um povo descontente passa a ser também uma banalidade.
Porque não dar um rumo diferente à coisa?
Em vez de passeios até à Assembleia da República, porque não juntar o pessoal todo e toda a gente escrever numa folha de papel os mesmo motivos de descontentamento e as mesmas possíveis resoluções? Porque não fazer com que essas folhas de papel sejam enviadas para o Governo, as estações de televisão, rádios, jornais, nacionais e estrangeiros? Porque não aproveitar os mesmos meios digitais que servem para convocar os encontros para fazer chegar ao mundo as mesmas palavras saídas das milhares de bocas de um só povo? Porque não ultrapassar a banalidade? 
Não é o país que precisa de saber que se está mal. É o mundo! 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Embarque da maratona na viatura cinquenta

Tal como no atletismo, a corrida para o autocarro é um desporto em que os praticantes usam diferentes técnicas para alcançar os seus objectivos e romperem o equivalente à fita de meta, o bilhete de papel.
Há atletas que fazem um verdadeiro sprint, saltando sobre obstáculos (sejam eles malas, cães ou pessoas). Outros dedicam-se a um slalom que, apesar de implicar perdas na velocidade instantânea, poderá ter vantagens no que toca a chegar inteiro à porta do veículo. Há quem use a técnica dos saltinhos, quase totalmente exclusiva à classe feminina dos vinte aos trinta anos. Corredores mais experientes dedicam-se a uma espécie de corta-mato, seguindo por caminhos improváveis mas eficientes, ou dedicando-se a intimidar restantes concorrentes que, eventualmente, acabam por lhes ceder a passagem na recta da meta. Por último, é fácil um campeonato incluir aqueles que variam drasticamente a sua velocidade ao longo do tempo, misturando momentos de sprint com passos lentos, enquanto fixam o número da viatura lá do fundo, confirmando se se prestaram a uma falta partida... ou chegada.