sábado, 9 de novembro de 2013

O futuro da análise de variáveis post scriptum

Escusado será dizer que, desde criança, tenho diversos planos de fuga de minha casa, em caso de invasão por bandidos. Todos eles com passagem obrigatória pela gaveta das facas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O futuro da análise de variáveis

Não sou, de todo, uma pessoa pessimista. No entanto, costumo ter a mania de ver todas as possibilidades de algo correr mal em diversas situações, nomeadamente a nível estrutural e de disposição de objectos. O que pode cair, o que pode impedir acesso, o que pode estar mais exposto a um acidente, o que estará mais contaminado, o que é mais fácil de se perder, et cetera, et cetera.
Por vezes, penso que tenho que acalmar esta minha faceta. Mas depois penso que, se tudo correr bem, um dia hei-de ser velho, e ainda me pode dar jeito para eu não me pôr a subir escadotes sem me habituar à anca nova, ou andar sair à rua durante o Inverno só com o meu pijama de seda, ou subir dois andares de escadas com um cesto carregado de lenha...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Opine-se!

Não sei se é o boom das redes sociais e a moda dos blogs* mas, parece que toda a gente é obrigada a ter opinião sobre tudo.
Porque é que uma pessoa não pode ter opinião sobre um assunto?
Em primeiro lugar, está no seu direito. Em segundo, pode nunca ter sequer ouvido falar do tema, ou então pode já saber do que se trata mas ainda estar a decidir o que pensar sobre. Em terceiro, o assunto pode nem merecer que se perca tempo com ele.

Se, por um lado, há aquelas pessoas que não admitem a inexistência de opinião, por outro há quem insista em querer saber a opinião de toda a gente sobre tudo. Em teoria isso é muito bonito e de valor mas, na prática, é um bocado chato.

Agora, pensando comigo mesmo depois de ler o que escrevi, se calhar é por isso que, normalmente, ando sempre nos extremos de quase não participar nas conversas ou de falar sobre tudo o que me vem à cabeça até ficar com a boca seca.

Qual é a vossa opinião sobre isto?

*Pode também ler-se como "Eu sei lá se são os chineses ou o caralho...".

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O valor da flexibilidade

Personalidade forte é uma daquelas características que toda a gente acha fantástica quando existe. Associa-se à personalidade forte a presença de pulso firme, a convicção de pensamentos, de opiniões, de ideias. Aquele que muda muito o que diz é fraco de espírito, não sabe o que quer, não percebe nada do assunto, é imprevisível e não é de confiança. O que pouca gente se dá ao trabalho de reparar, talvez guarnecida da sua personalidade forte, é que a flexibilidade e a adaptação estão na base da evolução de uma pessoa. Certamente que há uma linha entre a flexibilidade e o vira-casaquismo, mas não creio que haja assim tanta gente do lado o bengaleiro quanto se pensa ou diz. Simplesmente, gente forte, que se liberta do orgulho e se dá ao trabalho de ir pensando e aprendendo, não é vista como tal. Mudar de ideias, ideais e vontades nunca é visto como o esforço, inteligência e dedicação pessoal de que realmente se trata. 
Num mundo onde a moral e os valores estão cada vez mais tremidos, dá-se preferência aos pilares de pedra, ignorando-se as arquitecturas anti-sismo.

sábado, 2 de novembro de 2013

Birds flying high, you know how I feel

Atravesso a cidade com o café na mão. Está mais quente do que eu previa; o dia, não o café. Subo a avenida e quando finalmente chego ao meu destino, aguardo dois minutos até que a jardineira e a senhora da bilheteira resolvam o problema dos relatórios. Pago os três euros e dez e entro no recinto que, tal o dia, era mais quente do que eu previa; não na temperatura, mas no sentimento que transmitia.

No meio do verde, do castanho, do amarelo, do som da água, do cantar dos melros, do nadar tranquilo dos cometas e das carpas, sob o olhar desatento das estátuas, caminho lentamente. Sozinho. Não falo, não penso, só ouço e sinto. Abrando o passo, porque algo me pede para assim o fazer, e contínuo a visita, parando de vez em quando para uma fotografia.
Vi tudo, sabendo que ainda falta tanto para ver. Sentei-me. Aqui o gorgolejar da água tem o volume perfeito para ser ouvido sem incomodar. Pego no livro e embrenho-me numa aventura citadina que pouco tem a ver com o sítio onde estou.


Já me podiam ter dito antes que a Estufa Fria é dos melhores pontos de interesse de Lisboa...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Espantoso, espantoso, espantoso

Apercebi-me de que nunca adjectivei nada de "espantoso".

Espantoso!

Pronto... já perdeu o sentido a palavra. Espantoso, espantoso, espantoso...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um empurrão na entropia

Hoje, num estado melancólico-irritado, decidi ser causador de discórdia e responder em anónimo* a um comentário feito a uma notícia; um daqueles comentários feitos por gente parva que merece ser ignorada.

Às vezes sou assim. Gosto de viver no limite e caminhar da direcção de génio do mal.

*O anonimato começou por ser preguiça, mas acabou por evoluir para um "vou ser como os outros".