Não é a primeira vez que me deparo com artigos referindo que o facto de o ser humano depender tanto dos smartphones e aplicações de calendários e lembretes está a fazer com que o nosso cérebro deixe de ser tão exercitado como era antigamente, em que se sabia de cor uma dezena de números de telefone, os aniversários de toda a gente e as horas de todos os eventos da agenda.
Confesso-me um utilizador recorrente de aplicações que me lembrem das coisas. A alternativa era andar cheio de papéis amarelos e cruzes nas mãos. As aplicações não me retiram utilização ao cérebro porque esta, no contexto, nunca existiu.
Mas há quem não tenha estes problemas de memória de agenda e, mesmo assim, use os auxiliares digitais.
E se... os artigos estiverem errados quando referem que estamos a regredir, por culpa das tecnologias?
E se, o que está de facto a acontecer, é que estamos a deixar com que outras coisas se preocupem com as horas por nós, enquanto ocupamos a cabeça com coisas mais importantes? Talvez a redução do stress que a agenda de memória normalmente nos impinge nos dê espaço e tempo para pensar noutras coisas. E, a nível evolutivo, há muito que sou da opinião que o que falta ao ser humano é pensar... sobre tudo, sobre nada, sobre si.
E se... aquilo que temos nos bolsos seja um passo em direcção ao futuro, não só tecnológico, mas como ser?