Há vários anos (e durante vários anos), tive o desejo de morar sozinho; saber como é viver comigo e só comigo. Entretanto o desejo passou, mas a vida encarregou-se de me fazer a vontade. Depois de anos a partilhar quarto numa residência universitária, de anos a partilhar uma casa, estou há dois meses a viver comigo mesmo num T0 (mais sozinho que isto é basicamente impossível!).
Conclusão: viver sozinho cansa. Especialmente num espaço pequeno, há toda uma série de tarefas obrigatórias para que um quarto não se transforme numa pocilga. As limpezas implicam sempre quarto, cozinha e quarto-de-banho de uma vez só. Não há ninguém que faça o favor de lavar a louça por mim de vez em quando. A porta do quarto não pode ser fechada para esconder a desarrumação quando se recebem visitas. Dada a moda da marmita ao almoço, cozinhar apenas uma refeição ao final do dia é coisa que não existe. A cama é uma ilha deserta onde me recolho quando acabo de passar a esfregona no chão (e é sempre nessas alturas que se tem muita fome, muita sede ou muita urina).
Viver sozinho tem as suas imensas vantagens, sim. Mas cansa!