terça-feira, 19 de março de 2013

A questão é: quando é que me vão deixar morrer?

No trabalho, ando com um temporizador foleiro no bolso da bata, que faz uns apitos estranhos à mínima pressão. Sinto-me um tamagotchi.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Pequeno diário 66

Quase que compensa sair mais tarde para ir trabalhar. Quando saio mais cedo, só o tempo que demoro até conseguir entrar na rotunda sem correr o risco de levar uma troçada... acabo por picar o ponto à mesma hora.

P.S.: Nunca escrevi "troçada". Que engraçado...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pequeno diário 65

Adoro apagar a luz do candeeiro, antes de adormecer, e ainda ter tempo para vislumbrar um insecto enorme, com som de motorizada, a bater contra uma das paredes do quarto.
Bzzzzzzzzzzt pft... Bzzzzzzzzzzt pft... Bzzzzzzzzzzt pft...

terça-feira, 12 de março de 2013

Episódio imaginado

O barman apanhou a garrafa de vodka que lhe fora lançada do outro lado do bar, a meio de mais um cocktail. A música parou. As luzes coloridas apagaram-se e as brancas acenderam-se.
"O que se passa, querido?", perguntou a mulher, com o seu sotaque de Leste, afastando os seus seios nús da cara daquele homem, em cujo colo ela dançava.
As que estavam nos varões pararam as suas danças. As cortinas dos privados gementes abriram-se, deixando sair casais de rostos rosados. Os colos dos homens deixaram de aguentar com o peso leve das senhoras vestidas com pouco mais do que um par de sapatos de salto-alto. Os mais ébrios agarravam-se ao que podiam para se levantarem.
Juntaram-se todos ao centro e começaram a dirigir-se para a sala ao lado, bem mais sóbria.
"Vamos lá, pessoal!", anunciou um dos homens mais velhos, "Está na hora".

Do lado de fora do edifício, as câmaras de televisão fixam-se numa pequena chaminé perdida num telhado. O desânimo percorre a praça. Novamente fumo negro. Ainda não há Papa.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pequeno diário 64

Tenho meeeeesmo que dar uma limpeza à casa... e não me apetece nada.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pequeno diário 63

Ainda bem que sou uma pessoa alegre. Assim mantenho a elegância.
Quando deprimo acho-me sempre no direito de atacar francesinhas, hamburguers, pizzas, kebabs, crepes inundados em Nutella, petit gateaus, ... 

terça-feira, 5 de março de 2013

Gente interessante

Não raras vezes me queixo da falta de gente interessante para conviver nos meios em que vivo. Queixo-me que as conversas são sempre as mesmas, que as mentes são sempre fechadas, que os interesses são sempre banais, que as discussões são fracas, que os temas escasseiam ou são evitados... Claro que o interesse de alguém está nos olhos de quem vê mas, para simplificar, que se generalize.

Queixo-me... No entanto, dou por mim a pensar numa coisa: quão interessante sou eu?
A realidade é que as minhas conversas são quase sempre as mesmas, a minha mente aberta é normalmente semi-oculta, não revelo grande parte dos meus interesses, apenas ouço e aprendo com as discussões, não lanço temas que me são queridos, com "medo" de uma impossibilidade de desenvolvimento de conversa. 
Que se generalize. Sou relativamente interessante, mas não me acharia interessante se me visse de fora.
Outra questão surge: as pessoas são realmente desinteressantes, ou somos todos um monte de gente conversatoriamente estimulante, escondidos atrás de um rosto que só quer paz e amor na mesa do café?