terça-feira, 12 de março de 2013

Episódio imaginado

O barman apanhou a garrafa de vodka que lhe fora lançada do outro lado do bar, a meio de mais um cocktail. A música parou. As luzes coloridas apagaram-se e as brancas acenderam-se.
"O que se passa, querido?", perguntou a mulher, com o seu sotaque de Leste, afastando os seus seios nús da cara daquele homem, em cujo colo ela dançava.
As que estavam nos varões pararam as suas danças. As cortinas dos privados gementes abriram-se, deixando sair casais de rostos rosados. Os colos dos homens deixaram de aguentar com o peso leve das senhoras vestidas com pouco mais do que um par de sapatos de salto-alto. Os mais ébrios agarravam-se ao que podiam para se levantarem.
Juntaram-se todos ao centro e começaram a dirigir-se para a sala ao lado, bem mais sóbria.
"Vamos lá, pessoal!", anunciou um dos homens mais velhos, "Está na hora".

Do lado de fora do edifício, as câmaras de televisão fixam-se numa pequena chaminé perdida num telhado. O desânimo percorre a praça. Novamente fumo negro. Ainda não há Papa.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pequeno diário 64

Tenho meeeeesmo que dar uma limpeza à casa... e não me apetece nada.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pequeno diário 63

Ainda bem que sou uma pessoa alegre. Assim mantenho a elegância.
Quando deprimo acho-me sempre no direito de atacar francesinhas, hamburguers, pizzas, kebabs, crepes inundados em Nutella, petit gateaus, ... 

terça-feira, 5 de março de 2013

Gente interessante

Não raras vezes me queixo da falta de gente interessante para conviver nos meios em que vivo. Queixo-me que as conversas são sempre as mesmas, que as mentes são sempre fechadas, que os interesses são sempre banais, que as discussões são fracas, que os temas escasseiam ou são evitados... Claro que o interesse de alguém está nos olhos de quem vê mas, para simplificar, que se generalize.

Queixo-me... No entanto, dou por mim a pensar numa coisa: quão interessante sou eu?
A realidade é que as minhas conversas são quase sempre as mesmas, a minha mente aberta é normalmente semi-oculta, não revelo grande parte dos meus interesses, apenas ouço e aprendo com as discussões, não lanço temas que me são queridos, com "medo" de uma impossibilidade de desenvolvimento de conversa. 
Que se generalize. Sou relativamente interessante, mas não me acharia interessante se me visse de fora.
Outra questão surge: as pessoas são realmente desinteressantes, ou somos todos um monte de gente conversatoriamente estimulante, escondidos atrás de um rosto que só quer paz e amor na mesa do café?

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Bife com batatas fritas

O universo é regido por determinadas leis da física. Uma delas é baseada numa condição muito concreta: o meu pedido para refeição, quando almoço ou janto num restaurante.

Sempre que me dá na telha de pedir algo mais soft do que o normal (um peixinho, um cozido, um estufado), é obrigatório que alguém na mesa ao lado peça um grande bife acompanhado com batatas fritas com o melhor aspecto de sempre.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pequeno diário 62

Não me posso admirar com os olhares das pessoas quando vou pelo corredor de um hospital a assobiar "Twisted Nerve".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Segredos públicos

Toda a gente tem os seus segredos. Pequenos ou grandes, todos os temos. São eles que, de certa forma, nos tornam realmente seres únicos e individuais. Enquanto tivermos aquela coisinha que mais ninguém sabe, estamos um passo à frente de toda a gente.
Mas também todos temos aqueles segredos obrigatórios, aquelas coisas que mantemos para nós ou para um grupo muito restrito de pessoas mas que, no fundo, até gostaríamos que meio mundo soubesse. Aquela coisa secreta de que, secretamente, temos um secreto orgulho. No entanto... é segredo...

Caros leitores, estejam à vontade para comunicar em anónimo e partilhar os vossos segredos públicos.