O barman apanhou a garrafa de vodka que lhe fora lançada do outro lado do bar, a meio de mais um cocktail. A música parou. As luzes coloridas apagaram-se e as brancas acenderam-se.
"O que se passa, querido?", perguntou a mulher, com o seu sotaque de Leste, afastando os seus seios nús da cara daquele homem, em cujo colo ela dançava.
As que estavam nos varões pararam as suas danças. As cortinas dos privados gementes abriram-se, deixando sair casais de rostos rosados. Os colos dos homens deixaram de aguentar com o peso leve das senhoras vestidas com pouco mais do que um par de sapatos de salto-alto. Os mais ébrios agarravam-se ao que podiam para se levantarem.
Juntaram-se todos ao centro e começaram a dirigir-se para a sala ao lado, bem mais sóbria.
"Vamos lá, pessoal!", anunciou um dos homens mais velhos, "Está na hora".
Do lado de fora do edifício, as câmaras de televisão fixam-se numa pequena chaminé perdida num telhado. O desânimo percorre a praça. Novamente fumo negro. Ainda não há Papa.