quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pequeno diário 52

Logo no primeiro dia de retoma de uma rotina de actividade física minimamente constante, inalo um mosquito que se alojou algures na minha garganta, apesar de eu ter suspeitas de que uma asa terá ficado lá no fundo da narina direita.
"Fica em casa, Rui Pi" - diz o universo, entredentes.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Musicalize it

Não sei o que é conduzir sobre o efeito de "erva", mas imagino que seja algo parecido com conduzir à noite, sozinho pelo meio do Marão a ouvir Lana Del Rey.

Skip forward.

domingo, 21 de outubro de 2012

Ficarei triste

O dia em que o senhor Eduardo Rêgo morrer será um dia triste. O nosso mundo ficará mais vazio.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pequeno diário 51

Hoje, no Facebook, aceitei um pedido de amizade de um casal. Quando penso que há coisas que já passaram de moda, a vida surpreende-me uma vez mais.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

What an excellent day for an exorcism

Como tantos outros, ela veste uma bata de cujo bolso pende um estetoscópio. No entanto, o que eu vejo é uma camisa de dormir quase até ao joelho. Não que o modelo da bata seja diferente do de tantos outros, mas esta deve-lhe ficar talvez dois números acima do aceitável.
Não tem mais de um metro e sessenta e cinco, é magra e tem uma forma estranha de andar. Os ombros caídos, os pés meio arrastados pelo chão, meio atirados para a frente, como se a vontade de caminhar fosse pouca e as forças para tal ainda menores; curiosamente, o passo é rápido. Os braços pendem sem vida e as mãos ficam quase escondidas por umas mangas brancas demasiado grandes.
Mas o pior é o que está do pescoço para cima. Aquele cabelo fino e escorrido dá a entender que apanhou uma chuvada ao sair de casa e ainda não secou bem... mesmo em dias em que não cai uma pinga de água do céu. Aquele ar pálido e macilento. Aquela expressão facial que não transparece nada. E aquele olhar... aquele olhar que é um misto de loucura e possessão demoníaca. Fixa-se em nós sem dizer o que está por trás dele. De quando em vez, lá aparece um esboço de um sorriso, que em nada ajuda para amenizar o ambiente.

Não me admirarei no dia em que a sua cabeça rodar trezentos e sessenta graus.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Primeiras impressões certas: dom ou maldição?

Mais uma vez se comprova que tenho a capacidade de ter primeiras impressões bastante correctas relativamente às pessoas que conheço.
Mais uma vez se comprova que, mais cedo ou mais tarde, toda a gente se revela, dando-me uma razão que eu preferia não ter e, pior ainda, dizendo-me que afinal eu já sabia como era, apesar da ignorância forçada.
No dia em que eu me enganar nas primeiras impressões, eu aviso. Até lá, vou continuar a encobri-las, porque, acima de tudo, sou defensor do benefício da dúvida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Restos mortais

Eu até sou uma pessoa que desvaloriza um pouco a ausência de vida mas, sou só eu que acho que a expressão "restos mortais" é um bocado má/desrespeitosa/foleira?

Em primeiro lugar, imagino sempre que a pessoa morreu sendo cortada aos pedacinhos e o caixão, no fundo, é um grande tupperware onde guardam os restos de alguém que já não está vivo.
Em segundo lugar, atribui à palavra "restos" uma conotação negativa. Quase ninguém gosta de comer restos, e por isso é que a feijoada com dois dias* é chamada "feijoada que sobrou de ontem" e não "restos de feijoada".

*Toda a gente sabe que a feijoada sabe sempre melhor no dia a seguir.