Já não és a mesma.
Costumavas ser o meu porto de abrigo, abraçar-me nos momentos em que eu mais precisava. Costumavas ter aquele aconchego. Era pela tua companhia que eu ansiava depois de um dia longe de ti. Era em ti que eu pensava. Podia passar uma semana... duas... sem te ver, mas, pensava eu, a nossa relação não era afectada por isso. Quando, finalmente, me encontrava contigo, abria os braços e ficávamos os dois horas e horas simplesmente a sermos os dois. Contigo, não havia mais nada. Todo o resto do mundo deixava de existir.
Achei que sempre seria assim. Durante anos foi assim... porque haveria de mudar?
Talvez tenha sido o facto de, no fundo, a nossa relação ser sempre a mesma coisa. Talvez tenha sido o facto de, sem nos darmos conta, termos caído na monotonia. Talvez tenha sido muita coisa... mas a verdade é que te tornaste distante. Já não ia ter contigo com a mesma vontade. Depois de estar contigo já não sentia aquele bem estar que sentia antes. Tornaste-te fria.
E surgiu outra. Outra que me agarrou com mais força do que tu. Outra que me deu mais do que o que me davas nos últimos tempos. Outra que me dava mais calor, outra que estava todos os dias comigo, nos bons e nos maus momentos.
Tu ficaste igual enquanto ela passou a servir de apoio em todas as alturas. Durante o dia, com o trabalho ou com o lazer. E durante a noite, com o descanso ou com o prazer...
Já não és a minha cama favorita! Tenho outro ninho agora.