Ele é solteiro, entre trinta a trinta-e-cinco anos, cabelo a fugir-lhe do escalpe, óculos e ar inseguro.
Ela terá por volta da mesma idade, cabelo vermelho com caracóis farfalhudos, a barriga a espreitar por debaixo da t-shirt. Visita-o várias vezes por dia, no seu local de trabalho. Umas vezes com aquelas sandálias de pele que deixam ver as unhas pintadas de vermelhão, outras, mal equilibrada em cima de uns tacões de cinco centímetros.
Enquanto ele encara o monitor do computador e lhe fala baixinho, ela, por trás dele, coloca-lhe a mão no ombro e inclina-se para lhe perguntar isto ou aquilo.
Ele sorri quando ela chega, ela sorri-lhe de volta e chama-o pelo nome de um modo bem mais suave do que os restantes colegas de trabalho.
Todos os dias ele sentado e ela de pé atrás dele, partilhando conversas baixas e imagens que o monitor lhes dá.
Mas afinal ela é casada e tem um filho menor, e apenas quer saber como funciona o Facebook para vigiar a introdução do miúdo a estas coisas das redes sociais online.
Os cochichos são apenas "sempre que aparece este balãozinho vermelho é porque há alguma novidade" e "então meto aqui a password e o email, não é?".