segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pequeno diário 22

O desespero, misturado com a mania, fazem cair o véu de "grande e boa vida social e pessoal" tão facilmente que até dá pena.
Quase incrível como gente crescida, que se acha grande, não consegue ver a vergonha alheia que provoca.

Passa-se alguma coisa

Numa reportagem de um qualquer telejornal de um qualquer canal de televisão, uma senhora idosa fala para um familiar, após um pressentimento:
"Passa-se alguma coisa! Vamos rezar um terço!!"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Acordar

Adormeço sempre com planos para o dia seguinte.
Acordo sempre sem vontade nenhuma de os fazer, por mais pequenos que sejam. A cama tem um efeito útero em mim, e sinto-me sempre prematuro quando o despertador toca.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Pequeno diário 21

Acabo de receber um email a anunciar que recebi 25 000 €, num sorteio realizado, e passo a citar, pela "nossa empresa Microsoft, Bill Gates".

Seems legit.

Gostava

Gostava de ter o dom da palavra de tal modo a que conseguisse descrever, por escrito, a espectacularidade e intensidade de uma coisa que foi vista, sonhada ou pensada.

Não tenho. Mas gostava.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Memórias da primária, ou aventuras dos seis anos

Nos tempos idos da escola primária, eu e o meu grupo de amigos, uma espécie de Power Rangers do recreio, reparamos no comportamento atípico de uma rapariga, durante o intervalo.
Alta, magra, com ar de quem tinha idade para andar no ciclo, cabelo pelos ombros sempre meio despenteado. Tinha por hábito não só comer o resto do lanche se este lhe caía ao chão, como também comia as cascas de laranja. Chamava-mos-lhe a "Venenosa". 
Do alto da nossa maturidade de primeira classe, passávamos junto dela e gritávamos a plenos pulmões "Eeeeeeeeh Venenoooosaaaaaa!". E desatava-mos a correr para os melhores esconderijos do recreio da escola. Creio que um de nós uma vez terá sido apanhado por ela. Afinal, as pernas dela tinham o dobro do tamanho das nossas... Mas não me lembro bem quem foi o infeliz e o que lhe aconteceu, se é que algo aconteceu.
Entretanto, já nem era preciso gritarmos junto dela. Bastava avistar-nos que começava a correr atrás de nós. E  lá nos despachava-mos a ir para trás deste ou daquele sítio, gritando o seu "nome" pelo caminho.

Desapareceu. Possivelmente lá foi para o quinto ano...

Vi-a anos mais tarde, andava eu no oitavo. Pelo menos penso que seria ela... Alta, magra, cabelo pelos ombros meio despenteado, sem laranja.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pequeno diário 20

Partiu-me o coração de pena ao ouvir um jovem bêbado, a meio da noite, a tentar separar um casal bêbado que discutia a plenos pulmões à porta do prédio onde moro, gritando de dois em dois minutos "Paaaaaarem com issooo caraaaaaaaaaaaaaaalhooooo".
Notava-se o desespero no tom de voz do rapaz. Poor thing.