terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A personagem do café

No rés-do-chão do prédio onde moro há um café. Digamos que não é o local mais in da cidade. Por cima das cabeças para uma nuvem de fumo de tabaco, parte das mesas é ocupada por estudantes com uma mão no cigarro e outra no teclado de portáteis, outra parte é ocupada por velhos.
As mais variadas pessoas frequentam o sítio. Umas mais vezes, outras menos vezes, alternando entre as mesas da frente e as mesas do fundo, mais perto da televisão. Mas à noite há sempre uma mesa onde fica sempre a mesma pessoa. Ali junto à coluna, está sempre o mesmo velho. Óculos, barba branca até meio do peito, boina por cima do cabelo igualmente branco, um ligeiro aspecto de sem-abrigo e olhos colados no jornal, mesmo das poucas vezes em que está acompanhado por uma ou outra pessoa.
Não parece ser daqueles velhotes solitários que vai para os cafés só para não estar sozinho em casa. Ao mesmo tempo, não parece ser uma pessoa que vai para o café porque ainda mantém viva a vontade de sair e de conviver. Parece antes que não se preocupa sequer com a situação. Parece que aquela é a vida dele, a rotina dele e é simplesmente isso.
Fica horas naquela mesa junto à coluna. Tanto quanto sei, desde que o sol se começa a pôr (ou mesmo antes disso) até quando o café fecha, às duas da manhã.
Não sei nada sobre esse homem. Mas não me parece que saiba menos que os frequentadores assíduos do café. A sua presença, apesar de constante, é tão notada quanto seria a minha se por lá passá-se para comprar uma chiclet e ir-me embora.
Não sei nada sobre esse homem, mas um dia destes será pai de uma personagem minha.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pequeno diário 19

Quando começo a ler um livro logo após ter acabado outro, preciso de cerca de 50 páginas para me habituar aos novos cenários e ao facto de as acções se passarem em tempos históricos diferentes. Sou tão retardado...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Presidência da República e o reles país

O Senhor Presidente da República disse uma barbaridade qualquer em público. Vamos colocar de parte as intenções com que disse o que disse. Vamos colocar de parte o facto de o senhor estar na fase em que pode já não possuir todas as suas capacidades cognitivas a funcionar a 100 %. Vamos colocar de parte possíveis exageros de interpretação a quem ouviu o que foi dito. O facto é que o Senhor Presidente da República disse uma barbaridade qualquer em público.


Que se fale sobre o assunto. Que se escreva sobre o assunto. Que se actualizem estados de redes sociais sobre o assunto. Que se façam cartoons a gozar com o assunto.

Mas será que a mentalidade do país está assim tão mal... tão reles que o pessoal se lembre de ir para a rua, andar a juntar moedinhas de cêntimo, num gesto simbólico de gozo e protesto perante a tal barbaridade? Perante a situação mais do que precária em que o país se encontra, foi essa a melhor ideia que se teve para criticar as palavras do big boss da nação?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Não sou eu!

Há cerca de cinco anos recebi uma chamada de um número que desconhecia. Na altura não atendi e quando ouvi a mensagem de voz deixada pelo emissor, vi que se dirigia a um tal de Francisco Mendes. Esse tal Francisco tinha que ligar o mais depressa possível para o Cetelem, pois tinha que regularizar a sua conta, visto que tinha uma dívida de X.
Mais tarde, ligaram-me novamente e eu atendi. Não tardaram em tratar-me por Francisco Mentes e em referir a tal dívida, ao que eu respondi que não era nem conhecia alguém com tal nome. Pediram desculpa, agradeceram e desligaram, não sem antes me perguntarem se eu tinha a certeza que não era o referido senhor.
Ligaram-me, sobre o mesmo assunto, mais uma vez nesse ano, e desde aí ligam-me cerca de uma vez por ano. Sendo que à resposta "Não sou, nem conheço nenhum Francisco Mendes", se foi acrescentando "já me ligaram o ano passado e já disse o mesmo" e ainda "já me ligaram várias vezes e já disse que não sou quem querem que eu seja".

Há cinco minutos atrás o meu telemóvel vibrou:
"PARABENS SR FRANCISCO MENTES. Neste dia especial, o Cetelem deseja-lhe um Feliz Aniversario."

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pequeno diário 18

Hoje lembrei-me daquela sigla de infância: TPC.
Tratamentos para carecas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Completo

Para a maioria das pessoas, viver o amor é encontrar aquela pessoa que os completa. Um pensamento, para mim, um bocado triste. Cada pessoa deve ser completa por si só. Viver o amor com alguém é apenas um bónus, numa vida que deve valer pelo que é individualmente.
Para mim, viver o amor não é ter que passar todo o dia com outra pessoa. Não é ter que andar sempre aos beijinhos, de mão dada, a dizer coisas bonitas, a tratar bem outra pessoa. Um ramo de flores não é uma demonstração de amor. Para mim, olhar para outra pessoa e pensar "eras aquilo que faltava na minha vida" não é prova que se ama.
Para mim, um prova de que há amor é estar com outra pessoa em plenas gargalhadas, simplesmente porque se acaba de descobrir que contam o mesmo tipo de mentirinhas diárias um ao outro, sem que isso cause qualquer problema. 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pequeno diário 17

Adoooooooro arroz de lampreia!!