domingo, 13 de novembro de 2011

Escrito versus falado

Acho que sou muito mais interessante quando comunico por via escrita do que em conversa de voz. O conteúdo deste blog pode não o comprovar, mas é a verdade.
Não sou fã de chamadas telefónicas, não sou propriamente eloquente quando falo e a conversa torna-se ainda menos interessante se lhe adicionar-mos um sotaque não muito elegante e uma dicção que às vezes teima em não ser das melhores.
A realidade é que, mesmo em conversas de mensagens instantâneas, as minhas respostas imediatas são muito mais válidas/interessantes/convincentes/divertidas/acertadas/etc. do que se estivesse a ter exactamente a mesma conversa, mas falada. Acho que o meu cérebro tem uma melhor ligação com a ponta dos meus dedos do que com a "ponta da língua". O facto é que, na minha cabeça, a conversa funciona exactamente da mesma maneira... o problema é que a tradução da conversa da cabeça para a conversa real ocorre de maneiras diferentes se for falada ou escrita.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pequeno diário 6

Hoje vi um pardal a alimentar-se dos restos mortais de um gato atropelado. Isto não agoira nada de bom...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Primeira vista

As aparências iludem.
Quem vê caras não vê corações.
São coisas que se dizem mas que para mim fazem pouco sentido. Isto porque sempre tive uma tremenda facilidade para rapidamente tirar a pinta das pessoas que conheço. A simpatia pode ser imensa mas há algo que me diz que aquilo é maçã com bicho (ou castanha, já que estamos no tempo delas). O ar pode até ser carrancudo e a maneira de falar não passar de cuspidelas de palavras, mas consigo ver que há ali boa pessoa.

Mas as aparências iludem e quem vê caras não vê corações... são coisas que se dizem. E uma pessoa, ao crescer a ouvi-las pensa que se calhar não devia de julgar os livros pelas capas*. E passa a não julgar.
Mas ao crescer, vai-se conhecendo melhor os meandros sombrios que são as personalidades daqueles com quem nos damos. E das duas uma: ou apercebo-me que afinal a capa que mais ninguém via a não ser eu era verdadeira, e aprendo; ou continuo a tentar ser boa pessoa e a dar segundas oportunidades àquelas máscaras.

Escolhi a primeira opção. Mas guardo para mim a informação. Na altura certa, caso necessário, digo que já era assim à muito tempo.

*Literalmente, eu não julgo os livros pela capa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Pequeno diário 5

Parte comercial à parte, esta publicidade está mesmo bonita.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Plano de fuga

Quando era miúdo e tinha que ficar sozinho em casa, na minha cabeça havia a formação imediata de um plano de emergência, caso o apartamento fosse invadido por um assaltante. 
Tinha uma rota que passava obrigatoriamente pela cozinha, para uma visita à gaveta das facas grandes, e que acabava ou num esconderijo no meu quarto, ou num dos quartos-de-banho. Depois disso, das duas uma: ou fugia rapidamente para fora de casa (sem ser visto, obviamente) e ia alertar a minha mãe onde quer que ela estivesse; ou dava uma facada ao bandido, trancava-o numa das divisões da casa e só depois iria alertar a progenitora. Naquela altura, para mim, um assaltante seria provavelmente um toxicodependente. E com sete ou oito anos e um facalhão na mão, conseguiria dominar bem um drogado... pelo menos o suficiente para o deixar estendido no chão (porque eles são todos magrinhos e atrasados mentais, como toda a gente sabe. Sabia-o eu naquela época, pelo menos...).

Ora, hoje sonhei que havia uma invasão de zombies e descobri que o mesmo plano que, em puto, servia para sobreviver a um assalto, seria também eficaz o suficiente para, no mínimo, eu me conseguir enfiar no carro e fugir de um bando gente podre a tentar entrar em minha casa. Precisaria apenas de mais uma pessoa para servir de isco-vivo, mas isso são pormenores.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Somos bués! Vamos fazer festa!

Pelos vistos hoje nasce o humano número sete mil milhões.
De regresso ao meu mundo dos dias-úteis, ouvi na rádio que em vários países se fazem celebrações em homenagem ao tal número, festividades para o facto de sermos 7 000 000 000 de Homo sapiens sapiens vivos.

Se fôssemos pouquinhos, se estivéssemos em extinção, se fossemos uma espécie imensamente positivamente importante para a Terra, se todos vivêssemos bem e felizes, se não estivéssemos a ficar sem espaço e alimento para tanta gente, ainda entendia. Mas não!
Então porquê alguém se dar ao trabalho de celebrar tal coisa? Se calhar somos sete mil milhões de Homo sapiens festas e os taxologistas é que ainda não repararam.

sábado, 29 de outubro de 2011

Aquele sonho impossível

Todos temos um ou outro sonho impossível, certo? Aquele desejo de fazer ou ter qualquer coisa em algum momento da nossa vida, mas que sabemos que a possibilidade de a fazermos ou termos é nanoscópica.

Um desses meus sonhos, talvez aquele em que mais penso, é o de passar um ano enfiado num daqueles mosteiros perdidos no meio do nada sem qualquer tipo de comunicação com o exterior. Num daqueles sítios místicos que nem nos filmes são falados, num daqueles sítios em que o corpo mortal importa quase nada e onde as fronteiras da mente se abrem como nunca seria possível noutro lado qualquer. 
Se por um lado a ideia de me ver privado de tudo o que tenho agora me provoca uma espécie de desconforto, por outro, saber que ia estar num sítio onde todo o resto do universo teria muito mais valor do que qualquer coisinha que pudesse deixar para trás atrai-me imenso.
Se fosse daqueles sonhos realizáveis com um simples estalar de dedos ou agitar de nariz, era já! Como não é... é apenas aquele sonho impossível. 

Mais um pires de amendoins para esta mesa, se faz favor!